Polícia

Homens confessam homicídios, porém estão em liberdade

Por Cinthia Milanez | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Os dois homens que confessaram à polícia ser autores do 1º e do 3º homicídio do ano em Bauru responderão em liberdade pelo menos até o final das investigações da Polícia Civil.

No primeiro caso, o ajudante de pedreiro Luis Gustavo Maciel, 24 anos, foi morto com duas facadas na região do abdômen por volta das 3h da madrugada do dia 1º de janeiro.

O autor do homicídio foi o marceneiro Rafael Zacarias, 33 anos, que é marido de uma prima da vítima. O crime ocorreu na quadra 5 da rua Aurélio Duarte, na Vila Ipiranga.

Toda a família passou a virada do ano em uma chácara. Depois disso, Maciel, que havia ingerido bebida alcoólica, segundo testemunhas, decidiu cobrar uma dívida de R$ 150,00 contraída por Zacarias, que estava em sua casa, local do crime.

Para isso, ele utilizou uma faca e um pedaço de madeira. Maciel arrombou a porta da cozinha e, ao tentar entrar no imóvel, foi surpreendido pelo marceneiro, que desferiu duas facadas em seu abdômen.

De acordo com o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, Kleber Granja, Zacarias foi orientado pela família a fugir. Ele ficou escondido na casa de alguns familiares que vivem fora da cidade até o dia 10 de janeiro, quando se apresentou à polícia e confessou o homicídio, mas alegou legítima defesa.

Segundo caso

No segundo caso, o pedreiro José Maria Gonçalves de Godoy, 41 anos, foi morto a facadas por volta da meia-noite do dia 6 de janeiro pelo mecânico Rubens Inácio Bononi Junior, 24 anos.

O crime ocorreu na quadra 5 da rua João Dario, na Pousada da Esperança II. Segundo o delegado, o motivo do crime seria pelo fato de Rubens estar construindo uma parede que atingia o terreno da vítima, localizado na rua Ramiro Vieira. José, inclusive, já teria quebrado a parede de Rubens algumas vezes.

Na madrugada do dia 6 de janeiro, Rubens flagrou José derrubando, mais uma vez, o muro da casa dele. Depois disso, a vítima teria perseguido Rubens com uma faca até o local do crime. Eles entraram em luta corporal, Rubens conseguiu tirar a faca da mão de José e acabou perfurando o vizinho diversas vezes.

Depois do crime, Rubens fugiu para a casa de parentes em Bauru. Entretanto, ele se apresentou à polícia uma semana após o homicídio, confessando que o crime foi praticado em legítima defesa.


Esclarecimento

O delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, Kleber Granja, convocou a imprensa ontem para esclarecer o fato de os acusados que confessaram os homicídios estarem em liberdade.

Para Granja, em ambos os casos foi feito o pedido de prisão temporária – quando a polícia acredita que o fato de os acusados responderem em liberdade pode interferir na continuidade das investigações.

A Justiça, no entanto, negou o pedido da Polícia Civil. Isso porque os dois acusados se apresentaram espontaneamente e alegaram legítima defesa, tese que ainda não foi confirmada porque as investigações não chegaram ao fim.

“Portanto, analisando os aspectos do pedido da prisão, da apresentação espontânea e uma tese possível de legítima defesa, que ainda não está confirmada, porque as investigações ainda não progrediram, a Justiça entendeu que seria conveniente indeferir os pedidos de prisão temporária e que eles respondessem em liberdade”, explica.

Granja acredita que tanto os pedidos de prisão temporária por parte da Polícia Civil quanto os indeferimentos pela Justiça estão dentro da lei. O delegado acrescenta, porém, que é difícil fazer com que as famílias das vítimas entendam essa situação.

Diante disso, Granja diz que, assim que concluir os dois inquéritos policiais, dentro de 30 ou de 60 dias, e se verificar que a tese de legítima defesa não se aplica aos acusados, ele fará um pedido de prisão preventiva.

Comentários

Comentários