O vereador Sebastião Cândido de Moraes (PT), de Macatuba (46 quilômetros de Bauru), alega que só se defendeu das agressões cometidas por casal de trabalhadores rurais e diz que não pagou a dívida do carro – razão de toda a confusão – porque não recebeu o documento do veículo. Os três serão investigados pela Delegacia Seccional de Bauru por lesão corporal, injúria e ameaça. O parlamentar responderá ainda por constrangimento ilegal e fraude na entrega de coisa.
O caso foi divulgado pelo JC na última quinta-feira. O vereador afirma que os coletores de laranja Juliana Azevedo, de 32 anos, e Alexandre Martins Eusébio, de 26 anos, financiaram um Gol e não conseguiram pagar as parcelas. No ano passado, após tentativas frustradas de negociação com o banco, eles teriam pedido a Sebastião que ficasse com o carro e assumisse dívida no valor de R$ 2 mil e ele acabou aceitando a proposta.
“O carro estava há muito tempo parado, com pneus murchos, o vidro da frente estava quebrado, um banco estava quebrado, não funcionava porque faltava bomba de gasolina e a bateria também não estava boa”, revela. Ele conta que comprou as peças que faltavam e repassou o Gol a um amigo, mas reclama que o casal não teria lhe entregado o documento do veículo e boletos das supostas parcelas que deveriam ser pagas alegando que havia perdido os papéis.
“Eles foram enrolando, enrolando e nada de passar o documento do carro. Eu estava aguardando esse documento para poder pagar o carro”, afirma. O parlamentar alega que, no final do ano passado, ao levantar o valor da dívida, descobriu que ela chegava a R$ 3.912,00. Com juros e correções, segundo ele, o valor era de R$ 6.553,00. “Mas não tinha como pagar porque o carro já tinha busca e apreensão. Não existia parcela do carro para pagar”, diz.
A devolução
No dia 3 de janeiro, de acordo com o vereador, o Alexandre teria lhe perguntado se ele poderia devolver o Gol. Ele aceitou e pediu prazo até o dia 5. Segundo Sebastião, a pessoa que estava com o veículo combinou de entregá-lo às 19h30. “Quando eu cheguei em casa, dez minutos depois ela (Juliana) chegou no portão da minha casa embriagada, ele (Alexandre) embriagado, com crianças dentro do carro deles, um Kadett preto”, afirma.
Ele declara que foi ofendido pela mulher, que teria entrado na sala da sua casa e agredido a sua filha mais nova. “A minha menina mais velha viu a outra sendo agredida, pegou e desceu o cabo de vassoura na cabeça dela”, conta. Os vizinhos teriam ajudado a separar a briga. “Quando tiraram eles para fora, minha menina abaixou o portão na cabeça dela. Aí fez um caroço na cabeça dela”, revela. “E eles ficaram na rua fazendo escândalo”.
De acordo com o parlamentar, durante a confusão, o trabalhador rural teria jogado o seu aparelho celular na parede, danificando-o. A Polícia Militar (PM) foi acionada e, após a garantia por parte dele de que o veículo seria entregue naquele dia, os ânimos finalmente teriam se acalmado e o casal foi embora. O carro e as chaves foram entregues na residência do pai de Alexandre, próximo a uma praça.
Sebastião alega que o pneu dianteiro do Gol foi cortado porque a pessoa que o devolveu teve que trafegar com o pneu furado por cerca de três quarteirões até o local combinado para a entrega. “E falaram que foi esgotado o óleo. Como é que o carro vai rodar até lá esgotado o óleo?”, questiona. “Eu sei que está na mão da Justiça, eu creio que a Justiça vai ver o que é certo e eu tô aqui para responder o que for preciso, porque eu não tenho culpa disso”.
Agressões
O vereador, que é motorista de ônibus e leva trabalhadores rurais até fazendas da região, nega ter impedido a entrada de Alexandre e Juliana no seu veículo. Ele conta que, no dia seguinte à briga, como de costume, passou por vários pontos da cidade para recolher os funcionários da empresa para a qual trabalha.
No ponto onde o casal embarca, a confusão teria recomeçado. “A mulher dele entrou e já foi agredir uma mulher verbalmente, que é minha vizinha, só porque ela estava na minha casa nesse dia (dia anterior)”, revela. “Ele jogou a malinha em cima do banco da mulher que estava do meu lado e começou a me agredir”.
De acordo com Sebastião, inicialmente, a agressão por parte de Alexandre foi apenas verbal. “Enquanto ele estava me agredindo verbalmente, eu estava na calma, falando com ele. Quando ele começou a me socar, aí eu não sei mais nada, eu não respondi por mim”, diz. “Eu me defendi e a gente já saiu para fora agarrado”.
Durante a briga, que contou com agressões mútuas, o parlamentar alega ter sido atingido por pedradas e pauladas desferidas por Juliana. Conforme já divulgado pelo JC, Alexandre levou uma mordida que quase lhe arrancou uma orelha. Ele foi medicado e levou onze pontos.