Depois de saber da resistência da presidente Dilma Rousseff em dar mais um ministério ao PMDB, a cúpula do partido resgatou ontem a ideia de antecipar de junho para abril a convenção nacional que escolherá o caminho da legenda nas eleições presidenciais deste ano.
A possibilidade de antecipar o calendário é uma ameaça velada para expor publicamente o risco de desembarque do PMDB do governo. No entanto, como o partido é conhecido pelo apetite por cargos, o Planalto vê a ameaça com ceticismo.
O partido tem cinco ministérios (Minas e Energia; Previdência; Turismo; Agricultura e Secretaria de Aviação Civil) e quer ganhar a pasta de Integração Nacional.
Em conversa preliminar na noite de anteontem com o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), Dilma afirmou que precisa contemplar outros aliados, como PTB, Pros e PSD, e evitar que eles migrem para a oposição. No encontro, a presidente disse que o PSD de Gilberto Kassab está sub-representado, e que PTB e Pros não tem cargos no primeiro escalão.
Depois de saber do resultado da conversa entre Temer e Dilma, integrantes da legenda começaram a circular, nos bastidores, a proposta de antecipar a convenção partidária, alternativa negada pelo vice em dezembro, quando os mesmos apareceram.
O mapa atual da convenção do PMDB revela que os Estados insatisfeitos com o Planalto somam mais de 50% dos 742 votos. Há problemas no Rio, Maranhão, Amapá, Ceará, Bahia, entre outros.
Hoje à noite, a cúpula do partido se reunirá para tentar fechar uma posição comum. E é justamente com isso que Dilma conta.