Regional

Relógios de igrejas voltam a funcionar

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), o início do novo ano, considerado pela tradição católica um período de renovação, veio acompanhado de grandes mudanças. Após um ano e quatro meses de espera, moradores da cidade voltaram a conviver com o charme do relógio da igreja Matriz de São João Batista, que agora é acompanhado pelas badaladas de um sino. O conserto foi feito por um engenheiro de Dourado, que também colocou em funcionamento o relógio da torre da igreja de Santa Luzia.

Conforme divulgado pelo JC, em setembro de 2012, um restaurador de Jaboticabal foi contratado pela Paróquia de São João Batista para modernizar os relógios das torres das duas igrejas, com substituição de peças antigas, que não tinham mais condições de funcionamento, e galvanização (revestimento com metais nobres para evitar corrosão) de outras.

O restaurador recebeu pelos serviços R$ 10.115,00, total dividido em três parcelas, pagas em setembro e novembro de 2012 e janeiro de 2013. Apesar das cobranças por parte do pároco da cidade André Zacheu, ele não concluiu o trabalho e, até o momento, não devolveu as peças que retirou dos relógios para consertar, algumas com mais de 100 anos.

Cansado das inúmeras tentativas de acordo com o restaurador, no final do ano passado, o padre recorreu à Justiça para tentar reaver as peças, que ficarão guardadas no arquivo paroquial e, futuramente, poderão integrar o acervo do museu municipal em razão do seu valor histórico. No início de dezembro, a complicada situação ganhou novos contornos.

Segundo Zacheu, ao saber do problema enfrentado pela paróquia de Bocaina através da imprensa, o engenheiro Arthur Tavano Neto, de Dourado, ficou sensibilizado e se ofereceu para fabricar novas peças e consertar os dois relógios. “Ele já tinha restaurado o relógio da matriz de Dourado e sabia como era a funcionalidade desses relógios”, explica.

Os trabalhos tiveram início no dia 15 e, no dia 31, os relógios já estavam funcionando. “Como uma pessoa que ama relógio faz em quinze dias e uma pessoa com know-how fica um ano e quatro meses sem dar satisfação?”, questiona. “O relógio é antigo, mas não é raro. E, justamente por ele não ser raro, é que nós conseguimos fabricar as peças”.

Conforme o padre, as peças foram fresadas a partir de lingotes (placas) de alumínio utilizados na indústria aeronáutica, doados por pessoa da região que preferiu manter o anonimato. “Foi uma pessoa de fora de Bocaina que também ficou sabendo da reportagem e quis fazer a doação e contribuir para resolver o problema da Matriz de Bocaina”, revela.

O serviço foi orçado em R$ 20.870,00, valor que incluiu as confecções de eixos de tração, interligação e engrenagem, suspensão para pêndulo e conjunto de rotor, o serviço de dimensionamento e usinagem em fresa e torno, montagem de despertador de horas eletromecânico, mão de obra de montagem e custo de transporte até o município.

Para que o serviço fique completo, de acordo com o pároco, faltam apenas alguns ajustes no sistema de som do relógio da igreja Santa Luzia. “A sensação é de alívio porque nenhum padre quer chegar numa paróquia e dilapidar patrimônio. Eu queria o relógio pronto porque é gostoso você celebrar uma missa tocando o sino”, declara.


Tradição resgatada

O padre explica que, no caso da igreja Matriz de São João Batista, foi feita uma opção pelo resgate do som tradicional entre as décadas de 30 e 70, emitido pelas badaladas de um sino. “Não se batia mais o sino. Era um som eletrônico. O relógio estava funcionando, mas, na hora da badalada, não batia o sino, era um som eletrônico emitido por uma caixa de som”, diz. “Como nós tínhamos uma referência de outros sinos, buscamos restaurar essa originalidade também”.

Contribuições

Para ajudar a repor o valor gasto no conserto dos relógios das duas igrejas, a paróquia criou o chamado Livro Ouro, por meio do qual moradores podem fazer doações à Matriz de São João Batista. “Existem os fiéis, dizimistas da paróquia, que sempre contribuem todos os meses para a manutenção da paróquia e o pagamento das contas”, explica Zacheu. “Só que existe uma parcela da população, que também exigia o conserto do relógio, que não frequenta a igreja”.

Os interessados em contribuir com a manutenção das atividades da paróquia podem entrar em contato com a secretaria da igreja, que fica na rua Capitão Bento Rangel, 160, Centro. Informações pelo telefone (14) 3666-1172.

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