Moradores da favelinha da cracolândia, na região central da cidade de São Paulo, relataram ontem a existência de um comércio de barracos na área.
Anteontem, a prefeitura começou a retirar as unidades das ruas ocupadas, processo que continuou ontem.
Renato Carvalho, 52 anos, mora no local há nove meses e já montou oito unidades. “Ergui barraco até com pia e janela de vidro. Coisa de outro nível”, diz. Em troca, Carvalho aceitava dinheiro e até comida. “Vendi, fiz rolo. A gente vai se virando.”
Valéria Viana, 21 anos, vive há uma semana no barraco do companheiro, comprado por R$ 30,00. “Era o preço da diária no hotel onde a gente morava.”
Outros moradores, porém, negam o comércio. Afirmam que todos montaram seus próprios barracos. “Você acha que alguém iria comprar um negocio esbagaçado desse jeito?”, perguntou um morador, que não quis revelar seu nome, apontando seu barraco.
Já Thiago Moraes, 32 anos, conta que um barraco construído por ele pode valer até R$ 70,00.
O secretário de Segurança Urbana Roberto Porto afirmou ontem que todos os moradores que já estão instalados nos hotéis deveria receber ainda ontem os uniformes de trabalho. Todos serão direcionados hoje para início dos serviços de varrição na redondeza da cracolândia.
Ontem, a ação se concentrou na esquina da alameda Dino Bueno com a avenida Duque de Caxias. No início da manhã, os próprios moradores retiravam seus pertences. Assistentes sociais abordavam os moradores e os cadastraram.
Eles vão trabalhar com varrição de ruas. Ganharão R$ 15,00 por dia trabalhado.