Cultura

Arte nos trilhos

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

A partir de março, bonecos, contadores de estórias, intervenções e outras atividades vão entrar em cena no Museu Ferroviário de Bauru para dar início ao projeto “Memórias da Ferrovia em Bauru”, aprovado no Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC). A iniciativa tem a realização da Cia. Giralua de Artes e da Sociedade dos Amigos da Cultura (SAC) e apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

O projeto vai trabalhar, até agosto, com ações de mediação arte-educativas junto ao Museu e propõe a sensibilização para a formação de um novo olhar sobre a história de nosso município. Serão atendidos alunos da rede municipal e também o público em geral.

Val de Castro, atriz da Cia Giralua e produtora executiva do projeto, ressalta a importância de incluir a arte para contar a história de Bauru e da ferrovia. “A arte vem com essa finalidade de inovar linguagens na educação, tem um caráter lúdico, e vai buscar esse novo olhar sobre a história da cidade. Enquanto o projeto estiver acontecendo, queremos reviver a história desde o início da fundação da cidade até toda essa trajetória do transporte ferroviário que foi tão importante e contribuiu para o desenvolvimento de Bauru”, sublinha.

Conforme previsto no cronograma, de março a agosto estão previstas diversas ações dentro do Museu, como contações de histórias, mediação arte-educativa para jovens e intervenções artísticas aos domingos durante os passeios de Maria Fumaça. “Vamos trabalhar com diferentes públicos. Os grupos que fazem visitas ao Museu, os jovens, a comunidade em geral, e há ações específicas para cada tipo de público”, aponta Val. “Temos um cronograma de execução, com ações pontuadas. Existe um recurso para desenvolvermos as atividades dentro do plano que elaboramos”, informa a produtora do projeto.

A aprovação do ProAC colocou o projeto em 1º lugar no Estado. Através Sociedade Amigos da Cultura (SAC), associação cultural que viabiliza a apresentação de projetos culturais em editais de estímulo à cultura, a associada Cia. Giralua de Artes encaminhou as ações do projeto ao concurso.

Largada

Conforme estipulado no cronograma do projeto, 16 de março, um domingo, na Praça Rui Barbosa, será dada a largada para a série de atividades. A ocasião contará com intervenção artística partindo da Praça em direção à feira livre até o Museu Ferroviário.

Os temas tratados durante as intervenções serão: Bauru e ferrovia - impulso e decisões de emancipação da cidade; início de um centro econômico; pioneirismo - luta com o povo natural do lugar; a simplicidade do índio e a magnitude da máquina a vapor; a tecnologia da época que chega com o trem trilho a trilho, abrindo estrada; os profissionais da malha ferroviária; a “Maria Fumaça” como patrimônio cultural e histórico.

A abordagem dos assuntos e temas tratados será adaptada de acordo com a faixa etária e adequada a partir de orientação técnica de profissional especializado em museologia.


Museu e história

Val de Castro ressalta que a iniciativa acontece em um momento especial para o Museu e para a história de Bauru, já que neste ano comemoram-se os 25 anos de Museu Ferroviário.

Bauru é a cidade que recebeu o maior entroncamento ferroviário do Estado de São Paulo e o intenso fluxo de transporte trouxe muito desenvolvimento para a região. Em 1969, foi criado o Museu Ferroviário de Bauru, abrigando acervos das Ferrovias Sorocabana, Noroeste do Brasil e Companhia Paulista de Estrada de Ferro, com a principal finalidade de acolher e preservar o material ferroviário para exibição ao público.

O Museu Ferroviário recebe estudantes durante a semana e aos finais de semana abre as portas ao público que participa do passeio da “Maria Fumaça” (uma composição constituída pela locomotiva a vapor 278, de 1919, fabricação americana, o carro passageiro S-22, de 1943, e o carro administrativo O-1, de 1932, ambos fabricados nas oficinas da Noroeste do Brasil).

São recebidos pesquisadores, alunos de escolas públicas e particulares de Bauru e região, além da visitação espontânea e de grupos diversos. Seis mil alunos passam pelo local no ano, e nos passeios da “Maria Fumaça” (todo terceiro domingo do mês) é aguardado um público de 500 pessoas, para visitação a cada edição (são cinco passeios a cada manhã). O Museu Ferroviário integra o Departamento de Proteção ao Patrimônio, da Secretaria Municipal da Cultura.


Atividades e acessibilidade

Também ganharão destaque os personagens que fizeram parte da história da ferrovia. Esses personagens vão atuar em diferentes espaços: dentro do Museu Ferroviário, na praça, na plataforma de embarque, nas filas de espera e na recepção de chegada da “Maria Fumaça”.

Dentro do Museu, bonecos em tamanho natural representando as personalidades interpretarão com os elementos do acervo, contracenarão entre si e com os objetos da sala, trazendo uma interpretação aos feitos humanos dentro da história da ferrovia. Nas contações de histórias haverá sessões especiais para deficientes auditivos, conforme revela Val de Castro.

“O projeto conta com material gráfico impresso em braile, para atender ao público com deficiência visual, e uma intérprete de libras, que acompanhará as sessões de contações, atendendo aos deficientes auditivos. A acessibilidade se faz, principalmente, pela gratuidade de todas as atividades”, complementa Castro.

 

Comentários

Comentários