Moradores da avenida Frederico Pagani, na Quinta da Bela Olinda, em Bauru, sofrem com a falta constante de água. O aposentado Nelson Mendonça vive com a família há 20 anos no local e diz que sempre enfrentou esse problema, principalmente nos dias mais quentes.
|
João Rosan |
|
O aposentado Nelson Mendonça vive com a esposa acamada: “Louça e roupas sujas” |
Há oito meses, sua esposa foi vítima de uma parada cardiorrespiratória e está acamada até hoje por conta das sequelas. Para que a família pudesse ficar mais perto dela, foi montada uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) dentro de casa. Em decorrência disso, o consumo de água da família aumentou.
“Nós temos de trocá-la com frequência, manter as roupas pessoais e de cama sempre limpas, além dos banhos e do banheiro, que ela usa quase toda hora. Então, o nosso consumo de água é grande e sempre falta”, explica.
Nelson acrescenta que a água vem e volta no decorrer do dia. É nessa hora que a família, composta por ele, a esposa, a filha, o genro, além de dois netos, aproveita para colocar em dia os serviços domésticos
Ontem à tarde, a louça e as roupas estavam acumuladas porque a água ainda não havia chegado. Entretanto, quando a equipe de reportagem do Jornal da Cidade estava indo embora, Nelson checou a torneira novamente e verificou que o abastecimento tinha voltado ao normal.
“Aqui é assim mesmo, a água vem e volta ao longo do dia. Isso é preocupante, porque minha esposa está doente e nós precisamos preservar a higiene pessoal dela”, complementa.
Vizinho de Nelson, o aposentado Valdir Falcão vive na mesma avenida, com a esposa e com dois filhos. Ele conta que o desabastecimento nunca foi problema na casa dele. Por outro lado, mesmo economizando bastante, a família estava sem água ontem à tarde.
“Nós não estávamos sentindo falta de água até hoje (ontem). Isso porque minha filha é bióloga e vive nos aconselhando a economizar”, conta.
Soluções
Na edição de ontem, o JC mostrou que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) participou de uma reunião com a Caixa Econômica Federal e a Casa Alta, empreiteira responsável pela construção das casas do Mirante da Colina, para discutir esse problema crônico que assola os moradores do local.
Entretanto, o encontro não resultou em soluções. O grande problema é que a falta de água ainda é um mistério. Foi marcada outra reunião para hoje com o objetivo de identificar as possíveis causas do desabastecimento no residencial.
Em relação às outras regiões afetadas, como a Quinta da Bela Olinda, o DAE comunicou que existe uma defasagem de produção e, por conta disso, um novo poço será perfurado para atender a demanda dessas áreas. A expectativa é de que ele comece a operar dentro de três meses com uma vazão de 200 mil litros de água por hora.
Enquanto o problema não é resolvido, o DAE orienta a população a economizar água, ressalta a importância de evitar desperdícios, principalmente em épocas mais quentes, e prosseguirá disponibilizando caminhões-pipa por meio do telefone 0800-07710195, que recebe ligações apenas de telefones fixos, ou 3235-6140 para ligações feitas por celulares.
Outros casos
Além dos moradores da Quinta da Bela Olinda, outras famílias em Bauru também sofrem com o desabastecimento de água.
Na edição de ontem, o Jornal da Cidade noticiou que os moradores do residencial Mirante da Colina estão com as torneiras secas desde domingo e cogitam, até mesmo, abandonar os apartamentos construídos pelo programa Minha Casa Minha Vida.
Conforme o JC já publicou, o Mirante da Colina é abastecido pelo poço da Zona Norte/Lotes Urbanizados, que abrange a Quinta da Bela Olinda, a Pousada da Esperança I e II, a Vila São Paulo, o Jardim Ivone, o Jardim TV, o Nova Bauru e o Bauru 2.000.
Diante disso, mais de 20 mil bauruenses passam pela decepção de se depararem com as torneiras vazias.
Reservatório abandonado
A equipe de reportagem do Jornal da Cidade percorreu a Quinta da Bela Olinda, na tarde de ontem, e identificou um reservatório de água desativado na quadra 6 da rua João Garcia Villar.
Questionada, a assessoria de imprensa do DAE afirmou que desconhece quem o construiu, que o equipamento nunca foi ativado e não está interligado à rede de abastecimento da autarquia.
