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Quero conversar!

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Ao terminar de ler este artigo (se é que vai conseguir), a chance de você me enquadrar como um dinossauro ou um chato é grande. Tenho 49 anos de idade. Nasci em 1964. A TV tinha pouco mais de uma década de existência; o rádio e o jornal dominavam a comunicação de massa. Computador? Só na Nasa, CIA e KGB, e por aí vai. O instrumento mais avançado de comunicação individual era a máquina de escrever. Privilégio de poucos!

Portanto, sou de uma geração em que as pessoas conversavam. Pais e filhos, tios, avós e vizinhos. Os diálogos fluíam no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, no jantar, na brisa da noite. O "equipamento" de comunicação mais usado era a voz, som natural do ser humano para se expressar e demonstrar sentimentos.

Agora começa a parte chata. Embora não tenha conta em nenhuma dessas mídias sociais, não sou contra o Orkut, Twitter e outras tantas que surgiram nos últimos anos. Cada um curte o que quer, não é mesmo? Afinal, sou jornalista e a tecnologia chegou para favorecer nosso trabalho. Uso o básico: Internet, e-mail e skype. E só!

Escrevo este artigo porque me senti ultrajado com o comentário de uma especialista em comunicação digital, que soltou esta pérola: "Quem não tem Face é suspeito!".

Suspeito de quê? Nem ela respondeu! A informação está na última linha do artigo assinado por ela, jogado, sem explicação ou uma justificativa mínima. Só por que todo mundo tem uma conta no Face sou obrigado a seguir essa mania de massa? Não há argumentos que me convençam! Nem mesmo a liberdade de se expressar, de encontrar amigos do primário etc. Aliás, o que mais ouço sobre o conteúdo dessa mídia é tão banal quanto o termo fofoca.

Ainda prefiro um bom bate-papo; ainda sou da época que para cumprimentar um amigo pelo aniversário ligo para ele. Em uma mesa de jantar ? seja em casa ou no restaurante ?, mil vezes se divertir conversando, contando histórias, do que paginar um tablet e deixar as demais pessoas olhando para o nada.

Temo pelo futuro da voz. Do jeito que está indo, o ser humano irá se comunicar pelas frias telas de um computador, e o homem do final deste século será um vivente mudo. Afinal, aquilo que não é usado, atrofia! Ainda bem que estarei no segundo andar, rindo de tudo isso!

O autor, Gilmar Dias, é jornalista

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