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Sem "rolezão", sem-teto fazem piquenique e jogam tinta em shopping

Folhapress
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Com a antecipação do fechamento dos shoppings Campo Limpo e Jardim Sul, na zona sul de São Paulo, os sem-teto que pretendiam fazer um "rolezão" nos dois centros comerciais na tarde desta quinta-feira (16) fizeram uma passeata e um protesto na frente dos dois locais.

No shopping Jardim Sul, cerca de 500 pessoas caminharam até o local, onde seguranças bloqueavam todas as entradas. Os clientes que estavam no imóvel não foram obrigados a deixar o centro comercial, mas algumas lojas também fecharam e dispensaram os funcionários.

O estoquista Alberto Santana foi um dos funcionários que deixaram o local por volta das 17h50 - mais de quatro horas do horário previsto. Ele afirmou que não houve informe sonoro, mas que os seguranças avisaram as pessoas que estavam no local que o prédio seria fechado por conta de uma manifestação.

Durante o protesto dos sem-teto, que se aglomeraram na frente do shopping, houve um tumulto, quando pessoas tentaram furar o bloqueio dos seguranças. Houve empurrões, mas o ato foi logo contido por outros manifestantes.

Os membros do MTST também fizeram o que eles chamaram de "x-rolezão", distribuindo lanches de mortadela para os manifestantes. Foram mil pães e 4 kg de mortadela distribuídos no local.

"Trouxemos os lanches para ironizar o "x-porcaria" que vende dentro do shopping. Muitas dessas pessoas que estão aqui até trabalham no shopping, nos setores de limpeza e segurança. Hoje, por ironia, são impedido de entrar. Outros seguranças, também de periferia, estão impedindo a nossa entrada", afirmou Ana Paula Ribeiro, coordenadora do MTST.

O grupo também jogou tinta azul no chão, na frente do shopping, onde fez uma ciranda. Logo após o ato, os manifestantes seguiram em passeata pela avenida Giovanni Gronchi, que estava bloqueada por volta das 19h50.

No shopping Campo Limpo, cerca de 500 pessoas fecharam a estrada de Itapecerica, depois de se concentrarem na estação Campo Limpo. O ato foi pacífico, com policiais militares acompanhando o ato de longe. No final, porém, dois jovens atiraram duas latas de tinta preta contra a entrada do centro comercial. A tinta manchou o chão e respingou nas paredes.

O centro comercial fechou mesmo depois de ter conseguido uma liminar (decisão provisória) na Justiça paulista proibindo o "rolezão". A segurança também foi reforçada no shopping. Muitos vigias guardaram nas entradas e foram colocados comunicados sobre a decisão da Justiça.

"É um absurdo a gente ter de pagar pelos baderneiros", disse Sidney Vieria. Com a filha de colo, ele tentou deixar o shopping Campo Limpo pela saída que liga ao metrô, mas foi impedido pela segurança, que pediu que ele utilizasse outra porta.

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