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Alckmin pede inclusão de 13 empresas em processo contra cartel

Por Flávio Ferreira e Mario Cesar Carvalho | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) pediu a inclusão de 13 empresas na ação judicial que busca o pagamento de indenização pelos prejuízos causados pelo cartel que fraudou licitações de trens em São Paulo de 1998 a 2008, em gestões do PSDB.

A medida foi tomada para cumprir decisão da Justiça. O governo, porém, deixou de atender a outra determinação da 4ª Vara da Fazenda Pública da capital, que havia requerido a indicação do valor dos danos sofridos pelos cofres públicos em razão dos conluios entre as empresas fornecedoras de trens.

Reuters

Alckmin pede inclusão de 13 empresas em processo contra cartel

Para fazer esse cálculo, a administração Alckmin anunciou parceria com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), instituto ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado.

A PGE (Procuradoria-Geral do Estado), responsável pela defesa do executivo, pediu em 4 de dezembro que as companhias Alstom Brasil, Alstom Transport (França), CAF do Brasil, CAF (Espanha), Bombardier, Tejofran, Mitsui, TTrans, Temoinsa, MGE, Balfour Beatty, Iesa e MPE passem a ser rés na ação.

Na petição inicial do processo de indenização, protocolada em agosto, a Procuradoria havia indicado como acusada apenas a empresa alemã Siemens.

A companhia fez uma delação premiada ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em maio, na qual afirmou que combinou com as outras empresas o resultado de licitações do Metrô e da CPTM, de 1998 a 2008, em gestões dos governadores tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

O governo paulista indicou à época que apenas a Siemens era "ré confessa", e iria incluir as outras companhias na ação à medida que fossem concluídas as investigações em relação a elas.

Porém, o Ministério Público de São Paulo, que atua no caso como fiscal da lei, apresentou à Justiça entendimento diferente.

A Promotoria argumentou que não existe "cartel de uma empresa só" e pediu que a Justiça mandasse o governo incluir na causa as outras empresas apontadas pela Siemens na delação ao Cade.

A Promotoria também pediu a definição do valor da causa, o que, segundo a petição inicial do governo, deveria ocorrer só no fim da ação.

A juíza Celina Toyoshima atendeu aos requerimentos do Ministério Público e determinou que a PGE fizesse uma emenda à petição inicial para acrescentar os dados indicados pela Promotoria, sob pena de encerrar o processo.

A administração Alckmin pediu então em dezembro o acréscimo das outras 13 empresas denunciadas pela Simens, mas não alterou sua posição quanto à ausência da indicação do valor da causa.

A PGE afirma que não dispõe "de elementos suficientes" para fixação do valor dos prejuízos. Segundo o órgão, para tal definição será necessária "complexa perícia que terá por escopo comparar os preços de mercado com os contratados".

Agora, a Justiça vai analisar os argumentos da petição da PGE e decidir se a ação de indenização deve prosseguir.

Segundo o governo, o cálculo do valor dos danos a ser feito pelo IPT terá custo zero.

Outro lado

As empresas incluídas na ação de indenização ajuizada pelo governo de São Paulo negam a formação de cartel em licitações de trens entre 1998 a 2008.

A Bombardier nega que tenha adotado alguma conduta irregular em contratos com o Metrô e a CPTM. A empresa diz que em nota que "sempre atuou segundo os mais altos padrões de ética corporativa tanto no Brasil quanto nos demais países onde está presente".

A Alstom afirmou que não vai comentar a sua inclusão na ação indenizatória porque não foi notificada sobre esse fato pela Justiça.

A Siemens, que denunciou o cartel, informou que não vai se manifestar.

O dono da TTrans, Massimo Giavina-Bianchi, disse que a a empresa dele não participa de conluios e que a inclusão de mais empresas no processo do governo "gera intranquilidade no setor e nos clientes, o que poderá resultar em prejuízos para o usuário final, que é a população".

 

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