O Ministério Público de São Paulo vai ouvir na próxima semana jovens que organizaram ou que participaram de "rolezinhos". As conversas são parte de uma mediação proposta por promotores que envolverá os donos de shoppings, o poder público e os próprios jovens.
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Os promotores disseram que não há ilegalidade no fato dos shoppings fecharem as portas, desde que fechem a todos e não a um grupo distinto |
Os "rolezinhos" nos shoppings estão sendo discutidos desde a última terça-feira pelo procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, e promotores criminais, de Inclusão Social (Direitos Humanos), do Consumidor, de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e da Juventude e do Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate à Intolerância.
Nesta quinta-feira (16) um grupo de promotores se reuniu com o presidente da Abrasce (entidade que engloba os shoppings do país) para dar início à mediação. Segundo os promotores, integrantes da prefeitura também serão ouvidos.
Não devem ser ouvidos membros da Polícia Militar, em princípio. No último sábado, PMs usaram bombas de gás para coibir um "rolezinho" no Shopping Metrô Itaquera, na zona leste.
Segundo o promotor Mauricio Ribeiro Lopes, que integra a mediação, já há conversas com integrantes da Secretaria da Segurança Pública. Lopes afirmou que deve ir a um dos "rolezinhos" marcados neste fim de semana acompanhado dos filhos para observar. Ele não disse em qual.
Os promotores disseram que ainda vão contatar os jovens por meio das redes sociais. "Meu slogan é esse: que façam um "rolezinho" ao MP", disse Lopes.
Discriminação
Os promotores disseram que não há ilegalidade no fato de os shoppings fecharem as portas para impedir a entrada de pessoas. "Desde que feche a todos, e não só a um determinado grupo", disse o promotor criminal Alfonso Presti.
Segundo a promotora Luciana Bergamo, a medida de seguranças do Shopping JK Iguatemi - que na semana passada exigiram RG de algumas pessoas que tentaram entrar no shopping - foi inadequada. "O que o JK fez foi contra o princípio da indistinção. Eles escolheram quem ingressava no shopping", disse.
Os promotores disseram que a mediação servirá para que se estude o fenômeno dos "rolezinhos" e se busque maneiras de evitar conflitos. "Estamos diante de algo desconhecido, que ainda tem que compreendido", disse Lopes.