Arquivo/Quioshi Goto |
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Segundo Bruno Pegorin, do Secovi, por enquanto, preços de locação e venda não devem cair |
O ano de 2014 começou confirmando uma tendência que já vinha se desenhando no ano passado: após vivenciar uma fase de superaquecimento, o setor imobiliário deverá colocar o “pé no freio” neste ano, visto que há imóveis sobrando para alugar e vender.
A exceção está nos loteamentos fechados, principalmente os de alto padrão, cuja procura continua em franca expansão. Por conta da insegurança diante da violência urbana e da busca por maior conforto e qualidade de vida, cada vez mais os moradores têm investido em terrenos de condomínios horizontais.
Por outro lado, após a explosão de empreendimentos imobiliários lançados por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, há apartamentos sobrando em praticamente todas as regiões da cidade. O “boom” do setor foi impulsionado pelos subsídios governamentais oferecidos por meio do projeto, iniciado em 2009, pelo aumento do poder de renda da população e pelas facilidades de acesso ao crédito, que permitiram a um grande número de famílias a realização do sonho da casa própria.
Arquivo/Éder Azevedo |
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Eduardo Candia, do Creci, diz que maior ociosidade ocorre em apartamentos com até dois dormitórios |
Mas, ao que parece, a maior parte da demanda já foi atendida, embora muitos empreendimentos ainda estejam em construção. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) reconhece que, na cidade, é grande o número de residências e salões comerciais desocupados, mas os imóveis mais ociosos são os apartamentos de padrão médio, com até dois dormitórios, cujo preço de locação oscila entre R$ 600,00 e R$ 1 mil.
“A sobra para os que estão à venda é menor, mas também existe. A verdade é que as pessoas estão inseguras sobre o que vai acontecer a partir de agora”, comenta o delegado regional do Creci, Carlos Eduardo Candia. Além da possibilidade de queda de preços diante da oferta maior que a demanda, a tendência é de redução nas vendas por conta do aumento dos juros – nos últimos 12 meses, a taxa Selic foi reajustada de 7,25% para 10,5%.
Estabilidade
A variação, além de poder impactar diretamente nos juros dos financiamentos imobiliários, tende a diminuir, de maneira global, o poder de compra das famílias.
“Por enquanto, acreditamos apenas em uma estabilidade – e não queda – de preços. Mas, daqui para frente, a quantidade de novos empreendimentos lançados deve cair, até que a demanda possa absorver toda a oferta disponível. Enquanto isso não acontecer, os investidores (que compram para obter renda com o recebimento de aluguéis) também devem atuar num ritmo mais lento”, avalia Candia.
O coordenador de novos empreendedores do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru, Bruno Pegorin, prefere não utilizar o termo “sobra”, mas reconhece que a velocidade de comercialização e locação dos imóveis caiu. E, assim como Candia, ele concorda que os preços, pelo menos por enquanto, devem se manter no patamar atual.
“O que pode ocorrer é um proprietário ter urgência em vender ou alugar e, por conta das condições atuais, decidir derrubar o preço para fechar o negócio rapidamente. Mas a regra geral não é essa”, garante.
Segundo ele, o único segmento que corre à margem deste fenômeno é o de loteamentos fechados, para onde estão migrando as famílias com maior poder aquisitivo que buscam segurança, espaço, fácil acesso a serviços (como academia e área de lazer) e ambientes em que é estabelecido um mesmo padrão de construção.
Concentração ocorre no início do ano
Os jogos da Copa do Mundo e as eleições devem provocar uma “paradeira” na economia em geral. Por este motivo, o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) acredita que grande parte das vendas e locações de imóveis deverá se concentrar nos primeiros seis meses do ano.
Janeiro, por si só, tende a ser um mês favorável aos negócios, já que muitos estudantes universitários recém-aprovados em vestibulares chegam à cidade.
“Além disso, nesta época, muitas pessoas estão em férias e com tempo para procurar um novo imóvel e fazer a mudança. Sem contar os trabalhadores que se transferem de outras cidades para Bauru e precisam se acomodar”, enumera o coordenador de novos empreendedores do Secovi em Bauru, Bruno Pegorin.
De acordo com ele, não há dados estatísticos para comparar a movimentação do mercado neste mês em relação a janeiro do ano passado. Já em relação às perspectivas para 2014, Pegorin analisa que a tendência é de que os resultados sejam semelhantes aos de 2013.
“Para tanto, os lançamentos e a maior procura devem ficar concentrados no primeiro semestre. Depois, o ritmo deve diminuir um pouco”, projeta.

