O ano de 2014 promete ser positivo em termos de volume de vendas de bebidas frias no País. Os eventos programados para o ano, como a Copa do Mundo de Futebol e as eleições, além do clima, adiamento de impostos da cerveja e o calendário do Carnaval, sustentam o otimismo da indústria para as vendas, revertendo o desempenho negativo de 2013.
“Em 2014, teremos um verão de quatro meses”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), Paulo de Tarso Petroni, incluindo os 32 dias de Copa. Segundo ele, o verão concentra 40% do volume da produção de um ano. “Podemos voltar, em 2014, a produzir o que fabricamos em 2011: 13,278 bilhões de litros.
Já as vendas crescem na mesma proporção”, informou. Em 2013, conforme dados preliminares do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, a produção de cerveja totalizou 13,464 bilhões de litros, diminuição de 2% ante a de 13,743 bilhões de litros em 2012.
Na análise de 2012 ante 2011, a produção havia crescido 3,5%. Já a produção de refrigerantes teve uma queda de 3,7%, passando de 16,166 bilhões de litros em 2012 para 15,561 bilhões de litros no ano passado. Em 2012 ante 2011, a diminuição havia sido de 0,6%.
A previsão do analista-chefe da Ativa Corretora, Marcelo Torto, é que no contexto de grandes eventos de massa, as cervejas mais populares, “mainstream” no jargão do setor, vão ter maior crescimento de vendas do que as “premium”, de maior valor agregado. “Apesar que há um mercado potencial muito grande para a categoria premium, pois a fatia dela ainda é pequena, cerca de 6% do volume total de cervejas vendido no País”, afirma o analista.
Cerveja
O verão 2013-2014, que inclui os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, começou com o adiamento de impostos, especificamente para cerveja. O reajuste da tabela que estava previsto para outubro de 2013 foi adiado para 2014, ainda sem data definida.
A Ambev, que possui cerca de 70% do mercado nacional de cerveja, por exemplo, adotou no início de dezembro uma campanha de congelamento de preços nos seus pontos de venda. A iniciativa pode impulsionar os volumes produzidos e vendidos no verão.
O clima também pode contribuir. No verão, a saída é maior para as cervejas. O mercado estima que a cada grau Celsius a mais na temperatura, o consumo do produto cresça 0,28%. Neste verão, o clima está mais favorável do que o de 2013, que foi mais ameno e chuvoso.
Em uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com a empresa de pesquisas Nielsen, para o verão 2013-2014, 67,6% dos supermercadistas esperam aumento das vendas em relação ao mesmo período sazonal de 2012-2013. Na cesta de bebidas, espumantes lideram a intenção de compras para o período: 15,8%. Depois vem cerveja, com 15,2%; água mineral, 14,8%; refrigerante, 13,2%; água de coco, 11,3%; vinho tinto, 11,1%.
Há ainda o efeito calendário no primeiro trimestre, O Carnaval neste ano será em março. “Então serão três meses de potencial de vendas aquecidas”, pontua a analista do BES Securities, Catarina Pedrosa. No caso da Copa, a ajuda nas vendas totais do ano é também devido ao calendário do evento: será realizada, no Brasil, entre junho e julho, meses de vendas fracas para o segmento de bebidas frias devido ao inverno.
Marketing
As empresas do setor vêm intensificando as ações de marketing para o evento esportivo, que conta ainda com liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos. O grupo Petrópolis assinou dois contratos de concessão de direito de uso de nome de estádio no Brasil: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), que ficou nomeada como “Itaipava Arena Fonte Nova” e a Arena Pernambuco, em Recife (PE), que ficou “Itaipava Arena Pernambuco”, com aportes totais de R$ 20 milhões. Já a Ambev está financiando as arquibancadas provisórias do Itaquerão, em São Paulo, com orçamento de cerca de R$ 25 milhões.
Apesar do clima de otimismo, o setor ainda mantém certa cautela com o cenário macroeconômico. Pelas expectativas de mercado, o dólar vai continuar se valorizando ante o real. “Pode haver continuidade de pressão de custos de produção, mas as indústrias vão tentar minimizar esse efeito ou pelas políticas de preços ou por ações de inovação em embalagens e líquidos”, diz Torto, da Ativa.
Inflação e endividamento das famílias são outros dois indicadores que as empresas estão acompanhando, os mesmos que prejudicaram o desempenho de 2013 em produção e em vendas.