Polícia

Ex-detento é executado com 8 tiros

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um homem de 47 anos foi executado com oito tiros de pistola 40 por volta das 2h da madrugada de ontem, na rodovia SP 225 (João Ribeiro de Barros, quilômetro 229 mais 500 metros). Carlos Alberto Pereira Moraes estava acompanhado de uma mulher que levou um tiro de raspão nas nádegas. A vítima foi enterrada ontem no Cemitério da Saudade.

O crime aconteceu sob um viaduto que leva ao Jardim Tangarás, onde o carro estava parado no acostamento da pista. Na versão apresentada pela mulher que acompanhava a vítima, M.C.M, 20 anos, os dois aguardavam uma prima dela que estaria chegando de Pederneiras, no interior do Fiat Palio de placas DNW 6859/Bauru.

De repente, sem que o casal percebesse, um carro preto não identificado estacionou ao lado do Fiat. Dele teriam descido dois desconhecidos que sem dizer nada, passaram a atirar. Os tiros atingiram a vítima por pelo menos oito vezes. Um dos disparos atingiu a mulher de raspão, nas nádegas.

Os assassinos fugiram e a mulher correu para pedir socorro na boate. A Polícia Militar e o Samu foram acionados. O médico socorrista atestou a morte do homem e socorreu a mulher, que passou por atendimento e foi dispensada.

O 4º homicídio registrado pela polícia de Bauru levou o delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros e a equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), comandada pelo delegado Cledson Luiz Nascimento, ao local.

A polícia suspeita que o tiro que atingiu a mulher seja o mesmo que transfixou o corpo de Carlos Moraes e atingiu a nádega de sua acompanhante, que ocupava o banco do passageiro. De acordo com a polícia, Moraes é ex-detento, cumpriu pena até maio de 2013 por furto e tráfico de entorpecente.

Busca por informações

Consta que Moraes estava no Núcleo Mary Dota com amigos antes de ir para o local onde foi assassinado. Como estava demorando a voltar, os amigos ligaram em seu celular quando souberam que ele estava morto.

Duas das pessoas amigas da vítima constam como testemunhas, ambas não foram localizadas para falar. A equipe de reportagem do JC esteve no endereço registrado no boletim de ocorrência como sendo a residência da mulher que acompanhava a vítima. Embora as janelas da casa estivessem abertas, ninguém atendeu.

A família da vítima preferiu não falar. A mãe, uma professora aposentada, e os dois irmãos estavam em estado de choque. Um primo disse que foi pego de surpresa com a notícia do assassinato e que nada tinha a dizer, uma vez que mora no Exterior e estava na cidade a passeio.

Testemunha

Uma pessoa da boate que acionou a polícia e o socorro médico contou que por volta das 2h da madrugada de ontem atendeu a mulher, que estava toda ensanguentada. “Ela pediu ajuda e contou que o namorado estava baleado. Acionamos o Samu. O médico atestou no local que ele estava morto. Ela foi levada ao Pronto-Socorro Municipal.”

A mulher teria contado a ele que estava no local aguardando a chegada da prima que havia ligado pouco antes para ela dizendo que a aguardava sob o viaduto. “Porém, quando ela chegou ao local com Moraes, um carro preto estacionou ao lado. Dele teriam descido dois desconhecidos que fizeram os disparos de arma de fogo.”

Uma moça da boate teria dito a ele que conhece a mulher que acompanhava a vítima. “Tudo isso é especulação. Ela acredita que tudo foi armado, uma verdadeira emboscada.”


Investigações iniciadas

O delegado Cledson Luiz Nascimento disse ontem que esteve no local e que a testemunha, a mulher que ocupava o banco do passageiro do Palio branco, foi ouvida preliminarmente durante a madrugada. “Ela estava muito abalada e disse que a ação foi muito rápida, por isso, ela não teria gravado a fisionomia dos ocupantes do carro preto que atiraram contra Moraes.”

A Polícia Civil inicia as investigações não descartando qualquer hipótese, sendo que a mais acentuada é de acerto de contas. “Ele é recém saído do sistema prisional. Foi preso por furto e tráfico. A suspeita de execução é forte, mas vamos investigar.”

Segundo Nascimento, os aparelhos celulares das vítimas foram apreendidos e as últimas ligações poderão revelar os caminhos a serem tomados pela investigação. “O casal estava em uma festa no Mary Dota antes dos fatos”, confirmou.

 

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