A prainha de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) está em “estado terminal”. Não bastasse a água verde e o mau cheiro proveniente das algas, segundo análise recente da Cetesb, o local conta com a presença de viciados em drogas e prostitutas. O consumo de álcool por menores de 18 anos e a perturbação do sossego são constantes na região.
A falta de cuidados com a prainha, que já foi palco de grandes eventos e frequentada por muitas famílias da cidade e de toda a região, perdura por 20 anos, segundo o atual prefeito José Eduardo Amantini.
“Herdamos a praia em estado de abandono, como há duas décadas. Nos anos 80 começou o abandono. De lá para cá passaram pelo menos quatro prefeitos e todos deixaram a praia para segundo plano. A situação é caótica, reconhecemos. Temos um plano ambicioso de recuperação desse complexo turístico.”
O prefeito quer que a prainha de Itapuí volte a ser um cartão postal da cidade. “Temos outras prioridades. Conquistamos a maior delas, que vai ter um reflexo direto na recuperação do turismo: uma obra de R$ 8,6 milhões, que é a construção da estação de tratamento de esgoto. Estamos prestes a assinar o convênio. A publicação foi feita no Diário Oficial de dezembro. Itapuí jogava 100% de seu esgoto in natura no Tietê.”
O tratamento de esgoto vai ser licitado ainda neste mês e tem previsão de ser concluído em um prazo de 26 meses. “Paralelamente a essa obra vamos desenvolver um projeto de recuperação desse complexo. Vamos buscar verbas tanto na esfera estadual quanto na federal porque é um projeto ambicioso. Com recursos próprios não teremos condições de fazer.”
A recuperação do antigo restaurante municipal, conhecido como Castelinho, é um dos itens do projeto de revitalização.
“O castelinho está abandonado. Recuperando o prédio vamos discutir com a sociedade, de forma democrática, em audiência pública, o que a população quer que seja feito naquele espaço. As alternativas são retornar com o restaurante popular como no passado, construir um aquário com peixes do Rio Tietê ou, ainda, um espaço destinado à exposição dos trabalhos dos artesãos da terra. Aqui tem quem produz doces artesanais, viola, dentre outras coisas. Podemos oferecer uma oportunidade para as pessoas exporem seus trabalhos.”
A padronização das barracas é outro anseio do município. “Cada barraqueiro construiu a sua, conforme suas posses. Fizemos três reuniões com os barraqueiros no ano de 2013. Limpamos e iluminamos os banheiros. Para ter uma ideia, não tinha privada e nem pia. Colocamos cadeados nas portas e entregamos uma chave para cada comerciante e pouco mudou. As pessoas que estão lá não querem colaborar no processo de mudança para melhorar o nível dos frequentadores. Para eles, aquele local está muito bom do jeito que está. Nós estamos colocando o dedo na ferida.”
A mudança do horário de funcionamento das barracas, na opinião de Amantini, vai ajudar a mudar o tipo de público que frequenta o local além de minimizar as reclamações que chegam todos os dias à Polícia Militar. “Há reclamações de perturbação de sossego, tráfico e uso de drogas e prostituição. O horário permitido é até as 2 horas da madrugada nos finais de semana. Queremos que funcione até as 22 horas todos os dias. Estamos encaminhando projeto de lei para a Câmara.”
Ele ressalta que recebeu um ofício da PM pedindo providências, uma vez que ali estaria ocorrendo consumo de bebida alcoólica por menores, prostituição, consumo e tráfico de drogas. “Algumas iniciativas, que não aconteciam há vários anos, foram feitas. O camping, no final da prainha, foi usado no final do ano para um encontro de motociclistas. Iluminamos melhor a área das barracas e limpamos.”
Recuperar o complexo
O prefeito de Itapuí, José Eduardo Amantini, acredita que a recuperação do complexo da prainha vá custar de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões. “Pedimos uma verba para o governo do Estado. Também vamos renovar a cessão com a AES Tietê. As barracas serão padronizadas e para isso será feita uma licitação. Elas serão instaladas na avenida. Vamos criar mecanismos para ‘favorecer’ os comerciantes que estão instalados lá há 20 anos”, afirma.