O presidente deposto do Egito Mohamed Mursi vai ser julgado por ter insultado o Judiciário, segundo afirmaram fontes judiciais ontem, ao lado de outras 24 pessoas, incluindo ativistas liberais que se opuseram ao mandato pró-islâmico de Mursi mas que também são críticos do novo governo apoiado pelo Exército.
Este é o quarto processo que Mursi enfrenta desde que foi deposto pelo Exército em julho de 2013, após protestos contra um governo que durou somente um ano.
O julgamento também mostra a enorme pressão exercida sobre os ativistas secularista, que ajudaram a derrubar Hosni Mubarak em 2011, criticaram a Irmandade Muçulmana de Mursi, mas também se opuseram ao novo regime egípcio, comandado pelas Forças Armadas.
Entre os não-islamistas acusados estão ex-membros do Parlamento, como Amir Hamzawy e Mostafa El Naggar, além de Alaa Abdel Fattah, um blogueiro ativista detido em novembro e já com julgamento em curso por ter organizado protestos sem permissão.
A acusação de insultar o Judiciário pode levar a uma pena de até três anos de cadeia no Egito. Mursi já havia sido acusado de incitar a violência e conspirar com militantes estrangeiros contra a soberania do país.
O governo interino atual tem aumentado a pressão sobre a Irmandade Muçulmana, rotulada como uma organização terrorista. As forças armadas mataram centenas de apoiadores da Irmandade assim que Mursi foi deposto, e prendeu outros milhares.
O governo acusa a Irmandade de ter se convertido em um grupo violento. A Irmandade, que já foi o movimento político e religioso mais bem organizado do país e chegou a ganhar cinco eleições consecutivas, nega qualquer ligação com violência.