Cerca de 200 mil ucranianos protestavam neste domingo (19) na praça da Independência, em Kiev, em desafio ao governo do presidente Viktor Yanukovich. Nesta semana, o mandatário aprovou uma nova lei contra protestos que recebeu críticas da comunidade internacional.
O protesto é o maior deste ano e reacendeu o movimento contra Yanukovich, que em novembro rejeitou um acordo com a União Europeia e se aproximou mais da Rússia. Desde então, protestos levaram centenas de pessoas às ruas e os líderes opositores colocaram o presidente em xeque.
Enfrentando temperaturas abaixo de zero grau, os opositores se reuniram dentro e nas imediações da praça contra as novas leis. As medidas proíbem os protestos no centro de Kiev, a instalação de barracas em espaços públicos, o bloqueio de prédios estatais, a organização de carreatas e o uso de máscaras nas manifestações.
Todas as medidas foram usadas pelos manifestantes nos últimos dois meses. Os opositores ocuparam vários ministérios, fizeram uma ocupação na praça da Independência e bloquearam os acessos ao centro da capital com carros. Agora, essas medidas podem ser punidas com multa ou até cinco anos de prisão.
Outro ponto controverso é o registro das ONGs ucranianas que recebem financiamentos de países ocidentais como "agentes do exterior". Categoria criada na União Soviética, é similar à regra aplicada na Rússia, que é duramente criticada por organizações de direitos humanos.
Ilegal
Em um palco, os líderes da oposição declararam as medidas ilegais e pediram às forças de segurança que se unam aos manifestantes. "Nós declaramos ilegal a nova legislação adotada. Peço às forças de ordem: passem para o lado do povo!", declarou o boxeador Vitali Klitschko, líder do partido Oudar (Golpe).
"O Parlamento perdeu sua legitimidade. Isso significa que devemos criar um conselho do povo entre os políticos opositores", afirmou Arseni Yatseniuk, integrante do partido da ex-premiê Yulia Timoshenko. Mas alguns políticos foram vaiados pela população, que os acusou de não terem liderança nem plano de ação.
Após os discursos, um grupo de mil manifestantes radicais tentaram romper o cerco às sedes do governo e do Parlamento, atacando os policiais com bastões e pedras. Os opositores ainda queimaram um dos ônibus que impedia a passagem. Os agentes responderam com bombas de gás lacrimogêneo.
Os radicais chegaram a atacar até o opositor Vitali Klitschko, que tentou ir ao local para tentar acalmar os ânimos, com um extintor de incêndio. "O que vocês estão fazendo é muito perigoso", afirmou o campeão mundial de boxe, após se recuperar do ataque.