Política

Operação Colludium terá investigação específica para apurar fraudes em Bauru

Por Tisa Moraes | Com Marcele Tonelli e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

O Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pretende instaurar, ainda nesta semana, um procedimento de investigação criminal específico para apurar com maior profundidade as fraudes cometidas em licitações realizadas em Bauru. A decisão foi tomada após análise dos documentos apreendidos durante a Operação Colludium, desencadeada no último dia 14 para investigar o esquema envolvendo empresários do ramo de embalagens plásticas (sacos plásticos de lixo hospitalar e comum) que pagavam pela “desistência” de outros fabricantes para vencer concorrências públicas.

Segundo o JC apurou, a documentação apreendida continha informações reveladoras sobre a participação de funcionários públicos da prefeitura e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) nas fraudes, que teriam elaborado editais direcionados e cometido irregularidades nos processos licitatórios propriamente ditos. Para aprofundar as investigações, ontem o Gaeco solicitou à prefeitura e à Emdurb cópias de todos os processos licitatórios de que as empresas investigadas participaram nos últimos cinco anos.

Os documentos deverão ser encaminhados no prazo de dez dias. Após este trâmite, a intenção é remeter todas as provas reunidas à Promotoria do Patrimônio Público e solicitar a suspensão dos contratos em que seja comprovada ilegalidade. O mesmo pedido deverá ser feito a todas as prefeituras paulistas onde as empresas investigadas venceram concorrências públicas.

Ainda ontem, o único foragido da operação, o empresário Rogério Lopes dos Reis, morador de Piratininga, se apresentou espontaneamente ao Gaeco. Depois de prestar depoimento, ele foi preso. No último sábado, os sete envolvidos que já estavam encarcerados tiveram prisão temporária prorrogada por mais cinco dias e deverão ficar detidos ao menos até a próxima quinta-feira.

Entre os presos, está o empresário de Bauru Edison Antonio dos Santos, dono da empresa Recifort, e os irmãos de Jaú Francisco Liduenha e Ana Maria Liduenha. Todos tiveram os bens bloqueados pela Justiça.

Foram detidos ainda o ex-prefeito de Lucélia Carlos Ananias Campos de Souza, duas pessoas em Marília e outra na Capital. Os envolvidos responderão por formação de quadrilha, corrupção, fraude em procedimentos licitatórios e formação de cartel.

Segundo o Gaeco, o grupo agia comprando a “desistência” de outras empresas em licitações envolvendo órgãos e entidades públicas para vencer a disputa. A estimativa é de que, em dois anos, o esquema tenha rendido mais de R$ 100 milhões em fraudes concretizadas não apenas no Interior e na Capital, mas também em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná.

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