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Papelarias estão a todo vapor nos dias que antecedem o início das aulas |
Logo que o ano começa, quem tem filhos pequenos precisa preparar os bolsos e a sola do sapato. É chegada a hora de comprar os materiais escolares, que podem pesar no orçamento se o consumidor não pesquisar preços. Em Bauru, a variação de um mesmo item pode chegar a 278%, conforme pesquisa realizada pelo Núcleo Regional da Fundação Procon em Bauru nas principais papelarias da cidade.
Esta diferença foi encontrada no estojo de canetinhas de 12 cores, vendido de R$ 5,00 a R$ R$ 18,90. O segundo maior “vilão” foi a caixa de giz de cera com 18 unidades, comercializada de R$ 1,95 a R$ 6,50 (variação de 233,33%). O terceiro item com maior desigualdade de preços, 210%, foi o estojo com 15 gizes de cera, que custava entre R$ 2,00 e R$ 6,20 nas lojas pesquisadas (leia mais no quadro).
Vale lembrar que, para a comparação, o Procon considerou produtos da mesma marca e com características idênticas. Ao todo, foram consultados preços de 82 itens em oito estabelecimentos da cidade.
Segundo a coordenadora do Núcleo Regional da Fundação Procon em Bauru, Valéria Cunha, o levantamento comprova que, para não sofrer prejuízos, o consumidor precisa pesquisar antes de sair às compras. “Também vale negociar descontos e prazos para pagamento. Outra dica é formar grupos junto com outros pais para comprar em atacados ou mesmo pleitear descontos”, ensina.
Para gastar menos, recomenda-se, ainda, evitar levar os filhos às compras. Mas, se a ideia é incluí-los no processo para estimular a volta às aulas, vale negociar com eles antes de sair de casa.
“Dá para combinar a compra de apenas um item com o motivo do personagem que a criança esteja querendo, por exemplo, e os pais escolherem o restante. É uma oportunidade para educar os filhos para o consumo”, comenta Valéria.
Limites
Foi o que fez a funcionária pública Márcia Cristina Vaz de Lima, 48 anos, que saiu às compras com a filha Caroline, 12 anos, na tarde de ontem. A jovem precisava de dez cadernos para o novo ano letivo e a mãe, para não estourar o orçamento, estabeleceu um limite de preço para cada item.
“Também tenho de levar outros dez cadernos para meu filho, de 15 anos, além da lista de livros dos dois. Então, fizemos este acordo e funcionou”, comenta Márcia, que também relata ter pesquisado os preços antes de iniciar as compras.
Outra medida de economia foi reaproveitar praticamente todos os materiais que os filhos utilizaram no ano passado. “Só vamos precisar comprar algumas canetas e lápis, que representam gasto menor”, completa.
Para não correr riscos, a auxiliar de enfermagem Fernanda Figueiredo Araújo, 36 anos, preferiu sair sozinha para comprar o material escolar do filho de 9 anos. Mesmo assim, calculava que gastaria cerca de R$ 300,00 para levar todos os itens da lista entregue pelo colégio do garoto.
“Nos últimos dias, vim comprando também o material da minha filha, de 6 anos. Ela faz mais questão de personagens e, por isso, também procuro não trazê-la comigo. Depois que eu comprei, ela acaba não reclamando”, comenta.
Já o pintor industrial Adeur Simões, 43 anos, permite que a filha Bruna, 10 anos, escolha quase todos os produtos de sua preferência. As aulas da menina recomeçam amanhã, embora a lista de materiais ainda não tenha sido divulgada pela escola.
“Por enquanto, calculo que vou gastar uns R$ 150,00. Deixá-la escolher é uma forma de fazer com que ela fique mais empolgada com a volta às aulas. Mas a gente estabelece um limite e também levamos algumas coisas mais em conta”, explica.
Volta às aulas
Os alunos da rede estadual de ensino dão início ao ano letivo no dia 27 de janeiro. Para 2014, a Secretaria de Educação elaborou um calendário especial em virtude da Copa do Mundo no Brasil.
Para manter os 200 dias letivos, o início das aulas foi antecipado, assim como as férias do meio do ano, que acontecem entre 12 de junho e 13 de julho, período de realização dos jogos.
Os alunos da rede municipal de ensino fundamental (de 1º ao 9º ano) devem retornar às atividades normais no dia 3 de fevereiro, segunda-feira. Já os alunos da rede de educação infantil (Emeis, Emeiis e creches conveniadas) retornam às aulas no dia 4 de fevereiro, terça-feira, em virtude da necessidade de organização de todas as escolas, principalmente aquelas que serviram como polos durante o período de atendimento especial de férias.
Bom momento
Ainda que as papelarias de Bauru não prevejam alta de preços até o encerramento de janeiro, a melhor estratégia é não deixar as compras para a última hora.
De acordo com as lojas consultadas pela reportagem, ao antecipar as compras, o consumidor conseguirá encontrar maior variedade de mercadorias – e, consequentemente, de preços –, além de produtos de coleções do ano passado que estão em oferta.
“Alguns estão com até 30% de desconto e, assim como os produtos de personagens da moda, costumam acabar antes de as aulas começarem. O movimento já começou a ficar maior na semana passada e deve perdurar até meados de fevereiro”, pontua Valmir Aucielli, proprietário de um estabelecimento do ramo na região central. De acordo com ele, a expectativa é de aumento de 15% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado.
A pesquisa
A pesquisa do Núcleo Regional da Fundação Procon em Bauru foi realizada entre os dias 6 e 8 de janeiro em oito estabelecimentos da cidade. O levantamento foi realizado simultaneamente em dez cidades do Estado. Ao todo, 73 estabelecimentos foram consultados.
A maior variação foi encontrada em Caçapava (SP), onde uma caneta esferográfica custava R$ 1,00 em uma loja e R$ 6,50 na outra. Na capital paulista, foram encontrados preços com até 177,78% de diferença. Uma mesma borracha custava R$ 0,90 em um estabelecimento e R$ 2,50 em outro.
Em Bauru, a variação máxima foi de 278%. O estudo completo sobre a pesquisa feita na cidade pode ser acessado no site www.procon.sp.gov.br/pdf/material_escolar_bauru_2014.pdf.
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