Em 1996, uma revista exposta numa banca chama-me a atenção. A capa ilustra foto de Diana, a "Rosa da Inglaterra". Compro a revista. Uma das aparições da princesa britânica é por demais impressionante: ela traz ao colo uma menina negra com a perna decepada por uma bomba esquecida após o debate. Quero a imagem para simbolizar o amor, o desprendimento, da inesquecível princesa. Decepção. A revista, em suas 98 páginas, não mostra a foto que procuro. Fotógrafos preocupam-se com os vestidos caríssimos da princesa, com sua performance, dançando, não escondendo o esfriamento com o esposo Charles. Cedo, muito cedo, a "Rosa da Inglaterra" nos deixou.
Anos depois, surge uma nova personagem, também mulher, e primeira dama dos Estados Unidos: Michelle Obama. Causa-me menor encantamento o fato de ser a primeira dama da maior potência do mundo. Encanta-me o fato de haver-se graduado em direito pela Universidade de Harvard onde obteve, também, o mestrado. Além disso, lembrem-se de que o presidente Barak Obama, seu esposo, declarou que sua reeleição deveu-se muito ao prestígio e carisma de Michelle Obama.
Agora, o Jornal da Cidade traz uma foto da primeira dama em pose que contrasta com o que dela se disse. Doutora Michelle Obama mostra-se de punhos erguidos e mãos fechadas.
O médico e criminalista Césare Lombroso (1834-1909) consideraria o gesto próprio de uma pessoa agressiva, movida por instintos de vingança. Além de braços erguidos e mãos fechadas, há a fixidez do olhar fito no além e os lábios fortemente fechados. E era o momento em que festejava seus 50 anos de idade...
Não, não é, por certo, uma imagem de primeira dama. Mais próxima está de lutadora de MMA (artes marciais mistas). Os lutadores de boxe exibem este gesto para amedrontar seus adversários. Mas não lutadores intrépidos em busca de vitórias, sem se aterem aos prejuízos que podem causar.
Sinceramente, a doutora Michelle, a quem considerava uma segunda "Rosa do Povo", decepcionou-me. Dirão: foi apenas um gesto, nada mais do que um gesto. Concordo. Apenas um gesto. Mas Barak Obama que se cuide...
Álvaro Baptista Pontes