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Emdurb retira 97 lombadas das ruas; medida gera reações

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Implantadas ao longo das décadas de 80 e 90 como uma das principais medidas viárias para um trânsito mais lento e seguro, as lombadas, popularmente chamadas de quebra-molas, estão com os dias contados em algumas ruas e avenidas de Bauru.

De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdurb), quase 100 dispositivos do tipo serão retirados das vias neste ano. Trata-se da primeira fase dos trabalhos da empresa para estudo de necessidade e de adaptação dos obstáculos de solo irregulares espalhados pela cidade.

A medida visa atender a resolução 39, expedida em 1998 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão que regulamentou e padronizou, entre outras questões, o tamanho dos dispositivos.

Segundo a resolução do Contran, para vias de 30 km/hora a 40 km/hora, o obstáculo deve ter 8 centímetros de altura por 1,5 metro de comprimento.

Para vias de fluxo entre 50 km/hora a 60 km/hora, a altura deve ser de 10 centímetros de altura por 3,70 metros de comprimento. Além disso, a lombada não pode estar a menos de 15 metros de distância de esquinas e nem ser instalada em ruas que sejam linhas de trajeto de circulares.

Para se ter ideia, alguns obstáculos espalhados pela cidade, segundo a Emdurb, chegam a ter mais de 12 centímetros altura por 30 centímetros de comprimento.

Reação

Os trabalhos de remoção dos quebra-molas tiveram início em julho de 2013, conforme o JC divulgou. Período em que alguns pontos das avenidas Castelo Branco e Joaquim da Silva Martha foram contemplados.

Até ontem de manhã, a equipe da Emdurb já havia retirado 30 obstáculos dos 97 pontos selecionados. Entre eles, está o obstáculo da quadra 2 da avenida Nossa Senhora de Fátima, removido da frente de uma escola estadual há cerca de uma semana. A situação provocou reações.

“Uso essa avenida há mais de 14 anos diariamente e achei um absurdo a retirada da lombada. Os carros correm muito e temos mais de mil estudantes circulando por aqui nos horários de entrada e saída. A Emdurb precisa colocar outra urgente. Aliás, mais do que isso, precisamos de um semáforo”, critica a ex-diretora da Escola Estadual Christino Cabral, Maria Helena Catini.

Outra observação é feita pelo engenheiro e especialista em trânsito Archimedes Raia Junior.

“Vejo de forma positiva essa adaptação, mas é preciso cautela. As aulas começam daqui a alguns dias. Esse serviço poderia ter sido feito no início de dezembro ou janeiro para dar tempo de retirar e implantar novos ou reformar os dispositivos, pensando também na questão da adaptação dos condutores para evitar acidentes”, pontua Archimedes, que é doutor em engenharia de transportes.


Desnecessárias?

Lombadas costumam ser alvos de críticas por parte dos condutores por se apresentarem como um obstáculo físico que acaba gerando lentidão em ruas e avenidas muito movimentadas, além de aumentarem o consumo de combustível e provocarem o desgaste de veículos.

No Brasil, entretanto, diferentemente de alguns países da comunidade europeia, Estados Unidos e Japão, o uso de forma maciça do dispositivo, inclusive em avenidas de grande movimento, ainda acontece.

“Em países desenvolvidos, quase não existe lombada. E quando elas surgem são sempre utilizadas em locais pontuais como próximas de escolas, por exemplo, e não em ruas de grande movimento, como ocorre no Brasil”, afirma Archimedes Raia Junior, engenheiro especialista em trânsito.

“Mas são países onde existe um alto grau de obediência às leis de trânsito, sendo que as placas são suficientes para a diminuição da velocidade”, finaliza Archimedes.


Realocação

De acordo com o gerente da Emdurb, algumas avenidas, como é o caso da Getúlio Vargas e alguns pontos da Castelo Branco, assim como rua Carlos Marques, Ayrton Busch e outras vias movimentadas terão todos os obstáculos irregulares removidos e realocados próximos às esquinas.

“A Getúlio possui semáforos e radares em quase toda sua extensão. Talvez não haja mais necessidade, mas faremos um estudo para ver a possibilidade de realocação”, comenta o gerente da Emdurb.

A lista completa das ruas que terão os dispositivos realocados não foi apresentada pela Emdurb, que informou que o assunto ainda depende de estudos.

Os 97 pontos estipulados para a remoção das lombadas fazem parte da primeira etapa do cronograma de obras, que deve se estender também por 2015, haja vista a quantidade de dispositivos espalhados não só pelas avenidas e ruas principais, mas também por vielas.

“A minipá carregadeira que adaptamos à fresa para a remoção das lombadas é a mesma que realiza outros serviços pelo município, como a varrição de entulho, então a equipe não trabalha nisso todos os dias. Por isso, a remoção é demorada”, detalha Aníbal.

Sobre o atraso para o cumprimento da resolução, que já completa 16 anos, o gerente da Emdurb explicou que o maquinário para o serviço foi adquirido pela Emdurb apenas em 2012. Antes, o serviço dependia da disponibilidade dos caminhões da Secretaria Municipal de Obras.

Serviço

Solicitações para implantação ou retirada de obstáculos podem ser feitas à Emdurb por meio do e-mail emdurb@emdurb.com.br ou pessoalmente na sala de atendimento ao usuário da empresa, que fica no piso térreo do Terminal Rodoviário de Bauru. 

As solicitações são analisadas com base nos critérios da resolução 39 do Contran, que não permite, por exemplo, a implantação de lombadas em ruas muito inclinadas e em locais com guias rebaixadas. Mais informações podem ser obtidas por meio do telefone (14) 3233-9000.


Critérios

Sobre a situação, o gerente de planejamento e sinalização viária da Emdurb, Aníbal Ramalho, explica que a retirada dos obstáculos em questão tem seguido critérios.

As primeiras remoções teriam priorizado as lombadas que antecedem semáforos, como ocorreu com a Castelo Branco no trecho em frente ao Cemitério São Benedito.

As outras seguiram por avenidas e ruas de fluxo intenso, como é o caso da avenida Nossa Senhora de Fátima.

Já a fase atual de remoção tem seguido regiões da cidade onde há maior número de reclamações de condutores.

Além disso, também não há dispositivos legais que obriguem a existência de lombadas na frente de escolas.

“Esses obstáculos antigos só atrapalhavam o trânsito. Estamos avaliando os trechos que voltarão a receber os dispositivos adaptados, mas com certeza daremos prioridade para ruas de escolas, igrejas, por exemplo, e pontos onde houver solicitação. Estou emitindo a ordem de serviço e a implantação deve ocorrer a partir do início de fevereiro”, responde Aníbal, detalhando que o serviço será realizado por uma empresa terceirizada.

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