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Bauru-Piratininga: faltam acostamentos, sobram problemas

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos/Malavolta Jr.

Claudiomar de Souza, 56 anos, mostra radar quase coberto pelo matagal

O título acima poderia ser “A saga de Claudiomar”. Porém, não seria correto limitar a uma só pessoa a trajetória difícil que centenas de motoristas percorrem todos os dias entre os municípios de Bauru e Piratininga.

Claudiomar Eli Julião de Souza, 56 anos, foi quem aceitou o convite da reportagem e apontou cada um dos obstáculos que ele enfrenta há mais de 30 anos. Onde falta acostamento, sobram problemas e perigo.

Claudiomar embarcou na viatura do JC na tarde de ontem e mostrou o que ele passa diariamente na rodovia Elias Miguel Maluf (prolongamento da avenida Castelo Branco). “E não é só uma vez não. Às vezes, chego a fazer esse percurso quatro vezes por dia”, conta o homem, que mora em Piratininga e trabalha como motorista para uma empresa de advocacia em Bauru.

Saímos da Cidade sem Limites e, logo no primeiro trecho da chamada Bauru-Piratininga, um problema: o matagal quase cobre o radar de velocidade. Radar este que foi instalado em 2011 após muita reclamação da população.

Se não fosse trágica, a situação seria cômica. Quem vem sentido Piratininga-Bauru vê apenas a sinalização de fiscalização eletrônica. Ao procurar o radar, só enxerga o mato.

É o primeiro de muitos problemas. Logo em frente, Claudiomar aponta um monte de entulhos jogados na beirada da pista. “Olha isso. Como alguém vai parar aqui? E é assim sempre”, reclama.

A falta de acostamento é realmente a questão mais preocupante. Quem tiver algum problema com o veículo precisa invadir os canteiros laterais de terra. Em alguns pontos, nem isso é possível.

“Olha esse ponto. Olha o tanto de mato e árvore que tem na lateral. Como alguém encosta aqui? Não tem como”, destaca Claudiomar, apontando para uma grande quantidade de mato que quase chega a invadir a pista.

O perigo da falta de acostamentos é evidente. Ontem, um caminhão realizava podas nas árvores e atrapalhava o fluxo em um dos sentidos da rodovia. Para atrapalhar ainda mais, pouco antes, o mato praticamente escondia a placa de que ali era proibido fazer ultrapassagens.

Dentro da pista

E o problema não é só a falta de estruturas de escape que margeiam a pista. Dentro da via a situação também tem alguns pontos preocupantes. Sinalizado com galhos, um buraco atrapalha quem vai de Bauru para Piratininga.

“E não é só isso. Aqui em frente, tem uma canaleta totalmente entupida. Quando chove, toda essa água vem para a pista. Em todo esse tempo que passo por aqui, já vi muitos acidentes”, relata o motorista.

Antes de seguir seu caminho de volta para casa, Claudiomar mostra o último “obstáculo”. Outro grande buraco na pista. E aqui um fato ainda mais preocupante: a erosão fica exatamente em frente a uma movimentada casa noturna. “É por tudo isso que eu passo todo dia”, finaliza o protagonista da “saga de Claudiomar”.


Acostamentos saem neste ano, diz prefeito

Apesar de ser uma rodovia, a parte bauruense da Elias Miguel Maluf é de total responsabilidade do município. E, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), o principal problema será resolvido ainda este ano. Ele garante que os acostamentos serão feitos em 2014.

“Há um condomínio residencial do programa Minha Casa, Minha Vida que será inaugurado este ano exatamente às margens da rodovia. Por isso, iremos dar prioridade e fazer o acostamento. E isso será feito com verba da prefeitura”, aponta o chefe do Executivo.

Em 2009, quando o Estado recapeou a rodovia, dentro do Programa Pró-Vicinais, a empresa que executou a obra desenvolveu um projeto para outras melhorias na pista. Dentre elas, estava a construção de acostamentos, entretanto, até agora nada.

Outra melhoria que o prefeito promete ainda para 2014 é a construção de uma rotatória de acesso. “É uma rotatória que também iremos fazer com nossa própria verba. Ainda estamos negociando verbas estaduais para construir outras rotatórias de acesso”, complementa.

Em relação ao matagal, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) afirma que o mato foi cortado há quatro meses. Porém, será analisada a situação e poderá ser feita uma nova poda no início do próximo mês.


‘Tem que escolher onde o carro vai quebrar porque não há onde encostar’

A falta de acostamentos é realmente o que mais preocupa os motoristas. Tanto que Claudiomar de Souza já criou até mesmo um ditado para ironizar a situação preocupante que ele enfrenta todo dia. “Tem que escolher onde o carro vai quebrar. Porque, dependendo de onde for, não tem onde encostar”.

E o problema na pista é mais do que antigo. Um levantamento feito em 2009 pelo Jornal da Cidade mostrou que, nos dois sentidos, ao longo dos 6,3 quilômetros da rodovia foram feitas 39 entradas.

Como na maior parte da via não há nenhum espaço nem parecido com acostamento, os motoristas que precisam entrar em alguma propriedade ou condomínio são obrigados a fazer as conversões direto da pista, colocando os outros e eles mesmos em risco.

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