Parte dos integrantes do Grupo de Orientação do Trânsito (GOT) tentou reagir contra a apuração de prevaricação em sua atuação na região central, no início desta semana, e ontem, quando a Emdurb iniciou o combate à “camaradagem” nas proximidades da avenida Rodrigues Alves, foi solicitada a presença da Polícia Militar para coibir a resistência de trabalhadores informais contra a liberação de vagas pela regra de rotatividade.
A direção da Emdurb informa que vai insistir na aplicação da lei para todos os usuários do estacionamento rotativo, com ênfase para a eliminação da “camaradagem” na região da Rodrigues.
Ontem, o gerente de trânsito da Emdurb, Gustavo Cardoso, disse que agentes de trânsito chegaram a sofrer ameaças quando abordaram trabalhadores informais do descumprimento da regra. “O veículo tem de ser retirado da vaga após a segunda hora e alguns camelôs resistiram a cumprir a regra, porque já estavam habituados a permanecer todo o dia no local. Pela segurança dos agentes e pelo cumprimento da lei, foi solicitada a presença da Polícia Militar e liberadas as vagas. A Emdurb vai continuar agindo para disciplinar o uso de vagas na região”, disse Cardoso.
Após a reunião da última segunda-feira, quando a gerência de trânsito advertiu a equipe do GOT para a prioridade na aplicação da norma para as placas de veículos que costumeiramente não cumprem a lei, alguns dos agentes se mobilizaram para pedir que a empresa municipal defendesse o grupo contra as denúncias.
“Ao invés de cumprir a determinação de rigor contra quem todo dia não cumpre a regra do estacionamento rotativo, começando claro primeiro por esses casos para acabar com a impunidade, um ou dois integrantes da equipe se mobilizou para falar em defesa deles e nos chegou a informação de que tentam desviar o foco alegando que na reunião foi dito que eles não tinham de multar casos como falta de cinto de segurança. Nós demos exemplos claros de situações onde o agente deve orientar o usuário, educadamente. A multa isoladamente não vai resolver. É questão cultural”, abordou o presidente em exercício da Emdurb, Amauri Roma.
Gustavo Cardoso reforça que as modificações anunciadas serão implantadas. “Os agentes não vão andar mais em dupla, cada um passa a cobrir um setor, ampliando a presença na rua durante a jornada, e a orientação deve ser o ponto de partida para a abordagem do usuário. O levantamento de todas as placas de veículos que usam todo dia vagas na área rotativa do Centro vai ser realizado e com isso nós orientamos sim que o agente priorize acabar com a camaradagem. Tem de aplicar a lei para quem está flagrantemente insistindo em desrespeitar a norma, até para não gerar desordem na própria relação do usuário com o GOT. Não vamos tolerar nenhuma represália”, abordou.
Para Cardoso, as reações eram esperadas. “Nós estamos falando em acabar com privilégio e irregularidade no uso da área de estacionamento rotativo. O problema não está concentrado em profissional informal, mas em usuários do comércio que frequentam todo dia o Centro e não estão cumprindo a lei. Já era esperado alguma resistência, mas não vamos deixar de corrigir isso. É uma questão cultural. É claro que se o agente for educado e fizer seu trabalho, ele tem todo nosso apoio contra violência ou agressão. E tem de estar atento para chamar a polícia militar para prevenção contra alguma desinteligência”, acrescentou.
Quanto à vaga dos rotativos, das placas da turma da camaradagem, Gustavo exemplifica que de entre cinco pontos de estacionamento utilizados diariamente nas ruas Azarias Leite e Virgílio Malta, dos mais conhecidos por burlar a lei, apenas cinco multas de trânsito foram aplicadas em todo o ano de 2013 no Centro contra as placas costumeiras na região. “Se os veículos ocupam a vaga o dia inteiro, eles têm de deixar o local após uma hora mais uma de uso da vaga. E isso não está acontecendo. Há domínio irregular da vaga por placas que já foram levantadas e isso vai ter de acabar. Queremos apenas que o GOT cumpra seu papel e comece acabando com a camaradagem”, finalizou Cardoso.
Ocorrências
Na terça-feira, o advogado Nelson Neme ligou para a redação para reclamar que recebeu dois avisos de multa em um intervalo de um minuto entre as autuações. “As infrações foram registradas na quadra 8 da rua Bandeirantes, uma alegando não uso do cinto de segurança. O fato é que é represália já esperada porque eu acionei os agentes de trânsito na Vara da Fazenda Pública argumentando que eles não têm poder de polícia, conforme decisões em curso no Supremo Tribunal Federal”, argumenta. No mesmo dia, um agente do GOT teria sofrido agressão por usuário que se revoltou contra a aplicação de multa.