Pai e filho, Pedro Lima e Éverton Tiago estão satisfeitos com o resultado da colheita de melancia e de abóbora. De Espírito Santo do Turvo (SP), eles arrendaram 19 alqueires em uma fazenda em Piratininga (SP). Na última quarta-feira, os agricultores estavam cuidando, de um lado, da pulverização do novo plantio de melancia e, de outro, do armazenamento de abóboras.
“A produtividade alcançada nesta última colheita foi muito boa. Mas sem veneno a produtividade despenca. Nós temos de pulverizar de duas a três vezes por semana, dependendo do comportamento do clima. Se faz muito calor, tem de pulverizar mais nos finais de tarde e até durante a noite, porque senão evapora tudo e é jogar dinheiro fora”, comenta Lima.
Éverton está feliz com a aquisição de uma caminhonete no último final de ano, resultado da boa colheita.
“A melancia pode atingir até 150 toneladas por alqueire. Com praga isso chega a cair pela metade se não combater e até perder mais que isso. O bichinho preto, que chamamos de tríplice aqui, ataca pesado na planta. Tem de pulverizar até três vezes por semana durante os primeiros 60 dias da lavoura”, explica.
O tratorista Mário de Oliveira estava cumprindo essa tarefa. “A melancia aqui foi plantada no início de dezembro passado e a colheita é no final de março. Por uns dois meses tem de aplicar veneno para garantir boa produção. Com esse calorzão até é melhor pulverizar à noite”, ratifica.
Pedro Lima calcula que metade do custo com insumos na lavoura seja com o uso de agrotóxico. “E tudo importado e, se usar marca não conhecida, o rendimento cai muito. Aí o barato fica caro. Para um alqueire aqui o custo varia de R$ 10 mil a R$ 12 mil da lavoura e entre 50% e 60% é para pagar agrotóxico. A média é essa. A outra parte é de adubo”, menciona.
Cada meio quilo do defensivo, ao custo de R$ 91,00 o produto, cobre uma área de 1 hectare por pulverização.
“A abóbora dá menos praga, mas rende menos. A melancia tem mais praga, mas a produtividade é melhor. A abóbora rende até 40 toneladas por alqueire e a melancia chega a 150 toneladas/alqueire”, finaliza.
Higienização e diversificação
A vida urbana e a correria são os “adversários” do hábito, situação que também é enfrentada na hora de escolher alimentos. Para a nutricionista Amanda Arruda Matos, embora os níveis de agrotóxicos preocupem, o consumo humano ocorre em pequenas quantidades diárias, o que minimiza motivos para alarde.
“A agricultura atua em escala, mas o consumo humano acontece de forma inversa, em pequenas porções e esse consumo nem é diário. Se você pensar em comer um quilo de maçã todo dia, então a lógica muda. Claro que os níveis de agrotóxicos preocupam, mas não vejo razão para tanta preocupação. Diversificar o consumo e higinenizar com cuidado são mais importantes hoje, hábitos que nem todos realizam no cotidiano”, pondera.
A ação mais racional indicaria para a retomada de hábitos como a retomada do plantio caseiro, através de hortas.
“Isso garantiria acesso a orgânicos de fato na mesa e para consumo próprio. Mas em ambiente urbano isso é cada vez menos praticado e as hortas são cada vez mais incomuns. Orgânicos são mais caros, mas também é preciso garantir procedência”, orienta.
Matos reforça que, na realidade em escala de produção e consumo, higienização completa é o cuidado elementar. “A casca é um grande concentrador de nutrientes, então desperdiçar casca pela possibilidade do agrotóxico é algo que precisa ser ponderado. O melhor é higienizar, colocar em solução caseira de hipoclorito de sódio e ou vinagre por 20 minutos, lavar bem em água corrente e, no caso de legumes, refogar no vapor, porque a altas temperaturas e no cozimento com água os alimentos perdem muitas propriedades. É uma questão de ponderar o relativo neste segmento, tendo em vista que escapar dos agrotóxicos por completo é impossível”, finaliza.
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