Política

Tobias checa obra e vê falta d?água

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 6 min

Ao inspecionar o início da construção de uma nova escola estadual no Parque Jaraguá, ontem pela manhã, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) se deparou com várias queixas dirigidas à administração municipal por conta da falta d’água que atinge a parte alta do bairro.

O problema de abastecimento também é capaz de atrasar a entrega da unidade estadual de ensino, situada na quadra 5 da rua Juvenal Bastos. Há mais de quatro anos, o parlamentar trabalha pela obra, iniciada no começo de dezembro de 2013.

A conclusão dos trabalhos está prevista para o final deste ano, caso o Departamento de Água e Esgoto (DAE) reverta a situação e garanta abastecimento.

De responsabilidade do município, as dificuldades decorrentes das torneiras fizeram com que cerca de 20 pessoas procurassem o deputado. Ele ouviu as reivindicações uma a uma e avaliou a situação como lamentável.

Na opinião dele, de tão fundamental, a educação também ajuda na resolução de problemas como a falta d’água. O parlamentar acredita que, com formação, a população é capaz de encontrar meios adequados para pressionar o poder público.

Pedro Tobias se diz defensor de qualidade na educação, não só de quantidade. Com ela, jovens e adultos conseguem traçar seus próprios caminhos sem depender de benefícios ou bolsas, ressalta. “A educação tirou a Coreia do Sul do 3º Mundo e a colocou no 1º”, comenta.

Atendimento

No caso do Jaraguá, a nova unidade a ser construída pelo Estado beneficiará especialmente 600 estudantes dos ensinos fundamental e médio do bairro. Sem escolas próximas para atender toda a demanda, atualmente esses alunos estão matriculados em escolas estaduais de outras regiões, para onde são transportados com recursos do Estado.

Se tudo correr como o previsto, no início do ano letivo de 2015, a Escola Estadual Alto Jaraguá, nome ainda provisório, atenderá 1.260 crianças e adolescentes, somando os três períodos.

Segundo a dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez, além de resgatar esses 600 estudantes, a nova escola contemplará ensino médio diurno. Hoje, quem está nesta etapa da vida escolar e frequenta aulas no bairro estuda à noite.

A região do Parque Jaraguá conta com a Escola Estadual Ayrton Busch, que atende do 4º ano do ensino fundamental até o ensino médio, e com a Escola Estadual Professora Sebastiana Valdira Pereira da Silva, onde são matriculadas crianças do 1º ao 5º ano.

“Essa nova escola vai melhorar muito a qualidade de vida da população do bairro. Isso vai muito além da educação. Com a quadra poliesportiva, também vamos tirar as crianças da rua. Teremos lanchonete e bombonière próximas, ajudará na renda dos vizinhos. A escola poderá até acolher o coral da terceira idade e da juventude”, diz o vice-presidente da associação de moradores, Benedito Domingos da Silva.


Estado investirá R$ 4,6 mi na obra

Em terreno cedido pela prefeitura entre as ruas Juvenal Bastos e Carlos Pereira Bicudo, a Escola Estadual Alto Jaraguá terá 3.537 metros quadrados de área construída. O projeto prevê 12 salas de aula, sendo uma para educação especial, dois laboratórios, sala de informática, sala de leitura, refeitório, cozinha, cantina, banheiros masculino e feminino, área administrativa, pátios coberto e descoberto, além de quadra poliesportiva.

“A expectativa é que toda a comunidade possa usá-la (a quadra)”, afirma o deputado, que solicitou a inclusão da obra no orçamento do Estado. O investimento total será de R$ 4.650.257,80, recursos da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão ligado à Secretaria da Educação do Estado.

Segundo o coordenador do FDE em Bauru e região, engenheiro Veríssimo Barbeiro Filho, o prazo de entrega é de 270 dias, que pode ser ameaçado com a falta d’água crônica na região. Ele explica que o desabastecimento já prejudicou o trabalho de estaqueamento, por exemplo.

Veríssimo informa que, há um mês, solicitou ao DAE ligação provisória de água e esgoto, reivindicação ainda não atendida. Mas, segundo a assessoria de imprensa do DAE, o ofício apenas chegou na tarde da última sexta-feira, sendo que nesta semana o pedido será contemplado.


Outros investimentos

Além dos R$ 4,6 milhões para a construção da nova escola, o governo do Estado de São Paulo está investindo outros R$ 13,4 milhões em 28 obras escolares somente em Bauru, em sua maioria reformas e serviços de melhora de acessibilidade. Até o mês passado, o FDE havia concluído 13 obras em Bauru, informa a assessoria de imprensa do deputado Pedro Tobias (PSDB).

De acordo com o órgão de comunicação, outro sete trabalhos estão em andamento, quatro foram contratados e mais quatro estão em processo de licitação.

As 13 obras envolvem reformas em geral, como revisões do sistema hidráulico e elétrico, substituição de forros e pisos, construção de canaletas para escoamento de águas pluviais, entre outros serviços.


‘Água só chega de madrugada’

Aos 73 anos, Anizira Correa dos Santos tem de despertar de madrugada para dar conta das tarefas diárias por conta da falta d’água que atinge a parte alta do Parque Jaraguá. Os problemas domésticos afligem a moradora da rua Yoichi Sgihara, mas não tanto quanto a recuperação da filha recém-operada do seio.

“Ela não está boa”, comenta. Nesta fase de recuperação, o uso da água é fundamental para todos os procedimentos de higienização. “Água só chega de madrugada”, reclama. Anizira mora com filhas, netas, genro e uma bisneta de 7 meses, cujos cuidados também demandam o uso da água.

Para ter acesso ao líquido, a população tem recorrido aos caminhões-pipa cedidos pelo DAE. Rita de Cássio de Jesus Araújo comemorou os baldes cheios ontem pela manhã, só não conseguiu levá-los para dentro de casa por conta de problemas na coluna. Moradora da rua Carlos Pereira Bicudo, ela sempre precisa de ajuda. Pior é a situação da cadeirante Edna Rodrigues da Silva, moradora da quadra 4 da rua Horácio Gonçalves.

Desde terça-feira, ela sofre com uma virose, que exige hidratação dobrada. Com as torneiras secas, perdeu a conta do volume de fraldas que lançou mão. Por sorte, tem o apoio do marido, Olair Vicente de Matas, que, apesar das dificuldades, consegue deixar a casa do casal limpa.

DAE

Todos eles moram em uma região com cerca de 20 mil moradores abastecidos pela unidade de reservação 9 de Julho, que dispõe de dois reservatórios – um elevado e outro de terra. Ontem pela manhã, ambos não estavam operando com a capacidade máxima, mas em situação normal, informa a assessoria de imprensa do departamento.

De acordo com o órgão de comunicação, à noite, os reservatórios ficam cheios. Mas à tarde, o volume de água baixa e apenas os moradores que dispõem de caixa d’água conseguem suportar. A situação só será revertida com a operação do novo poço Roosevelt 3, cuja bomba entrou em pré-operação na véspera de Natal de 2013. Mesmo em teste, ela era capaz de produzir 139 metros cúbicos de água por hora, sendo que o volume aumentará para 200 metros cúbicos por hora quando for instalada a definitiva.

A troca da provisória pela que ficará constantemente operando começou a ser feita na última segunda-feira, informa a assessoria de imprensa do DAE. Enquanto isso, o poço tem de ser paralisado. Para contornar a situação, voltou a operar o poço Roosevelt 2, cujo revestimento de aço foi rompido em 2012 e passou a garantir apenas 74 metros cúbicos de água por hora – menos que os 150 m³ de antes.

A expectativa do DAE era que a bomba definitiva do Roosevelt 3 passasse a operar na última sexta-feira, quando a fabricante fez a medição final, constatou isolação baixa e a retirou sob o risco de queimá-la.

Ontem, a empresa contratada Louis Engenharia, de Garça, fazia revisões técnicas em cabos e emendas para checar as razões do problema, saná-lo, para posteriormente descer a bomba outra vez, procedimento que deve acontecer nesta semana.

Quando o Roosevelt 3 operar plenamente, o poço 2 será tapado, conclui a assessoria de imprensa.

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