Internacional

Polícia e manifestantes se enfrentam na Ucrânia, após oferta de cargos

Folhapress
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A polícia entrou em confronto com manifestantes que bloquearam um edifício no centro de Kiev, ontem, e o destino do governo da Ucrânia estava na incerteza, depois que o presidente, Viktor Yanukovich, ofereceu cargos importantes aos líderes da oposição.

Um dos maiores inimigos do presidente chamou a sua oferta de uma tentativa “envenenada” de destruir um movimento de protesto, em um país mergulhado na instabilidade política, devido à guinada radical de Yanukovich para longe da União Europeia e em direção à Rússia.

Na mais recente onda de violência, alguns milhares de manifestantes tentaram invadir um centro cultural, onde centenas de tropas de segurança estavam reunidas, no centro de Kiev, a poucas centenas de metros da Praça da Independência, o local onde a oposição se concentra há semanas para protestar.

Os manifestantes atiraram pedras e bombas de fumaça, enquanto a polícia disparou granadas de efeito moral e jogou água na multidão. Vitaly Klitschko, chegou ao local e ajudou a negociar uma solução.

O confronto que começou antes do amanhecer e durou duas horas, aconteceu depois que Yanukovich fez a sua maior concessão desde o início da crise, que já dura dois meses, colocou a Ucrânia em crise.

Na esperança de por um fim aos protestos que ameaçam levar o país a uma paralisação, Yanukovich ofereceu no sábado o cargo de primeiro-ministro ao ex-ministro da economia, Arseny Yatsenuyk. A Klitschko, um ex-campeão internacional de boxe, foi oferecido o cargo de vice-primeiro-ministro, responsável pelas questões humanitárias. A presidência associou essa oferta à obrigação da oposição de refrear os manifestantes violentos.

Jovem morto

Com flores nas mãos e com a bandeira ucraniana sobre os ombros, uma multidão concentrou-se ontem no interior da Catedral de Saint-Michel, no pátio do mosteiro e até fora dos muros do edifício, para homenagear Mikhaïl Jiznévski. O homem, de nacionalidade bielorussa, que, segundo amigos, faria hoje 26 anos, foi morto a tiros. Depois uma uma multidão acompanhou o enterro pelas ruas de Kiev.

Papa pede fim da violência

O papa Francisco apelou ontem para o fim da violência na Ucrânia e para o diálogo entre governo e opositores, que protestam há dois meses. “Espero que haja um diálogo construtivo entre as instituições e a sociedade civil e que, sem uso da força, o espírito da paz e a procura do bem comum prevaleçam nos corações de todos”, declarou o papa perante a multidão reunida na praça de São Pedro para a oração do Angelus. Na ocasião, como de costume, o papa soltou pombas, acompanhado de duas crianças, mas como sempre, elas foram atacadas por outras aves que vivem na região.

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