Bairros

Gestante fica sem vaga em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

Faltava leito de UTI neonatal na Maternidade Santa Isabel, em Bauru

A falta de vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Maternidade Santa Isabel levou uma gestante a dar à luz a 290 quilômetros de distância de Bauru. Como os bebês, gêmeos, nasceram com baixo peso, a mãe, Carla Jaqueline de Souza Campos, 29 anos, ainda precisou ficar por 17 dias longe de casa, para poder amamentar os filhos até que recebessem alta médica do Hospital Estadual (HE) de Presidente Prudente.

A situação ficou ainda pior no último sábado, quando todos poderiam voltar para casa e o transporte demorou a ser oferecido, o que levou a mulher a providenciar seu retorno a Bauru com recursos próprios.

Contatada, a assessoria da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra a maternidade, informou que são raros os casos em que há necessidade de transferência de gestantes para outros hospitais por falta de vagas na UTI neonatal, que conta com dez leitos e atenderia, sem grandes dificuldades, à demanda existente na região.

Mas, para a dona de casa Carla Campos, a saída de Bauru para uma cidade desconhecida só causou desconforto. Embora relate que recebeu toda a assistência no HE de Presidente Prudente, ela conta que, pelo fato de estar longe de casa, a mãe teve de acompanhá-la durante todo o tempo no hospital.

“Ela dormiu por mais de 15 dias em uma cadeira de plástico. Se estivéssemos em Bauru, ela poderia voltar para casa, inclusive para se alimentar direito, já que a comida do hospital é só para o paciente”, reclama Carla.

Com pressão alta, ela procurou a Maternidade Santa Isabel no último dia 8 de janeiro e, grávida de pouco mais de oito meses, foi transferida na mesma noite para Presidente Prudente, numa viagem que demorou cerca de três horas e meia. Submetida a uma cesariana no dia 12, ela deu à luz João Pedro e Bárbara Helena.

‘Jogo de empurra’

Três dias depois, a mãe e o menino receberam alta, mas Carla preferiu esperar até que a filha também tivesse condições de ir para casa, o que ocorreu apenas no dia 25. A partir de então, segundo ela, iniciou-se um “jogo de empurra”.

“O hospital falou que não era responsável por acionar o município de Bauru, que faz o transporte de pacientes. Ligamos na maternidade e disseram que era o HE de Prudente que tinha que pedir”, lamenta.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que, no dia 25, o HE de Presidente Prudente entrou em contato com a Prefeitura de Bauru para solicitar o transporte de retorno à paciente. A Secretaria Municipal de Saúde, por sua vez, relata que informou à unidade que só poderia buscar a paciente no dia seguinte, tempo necessário para cumprir os trâmites para a liberação do transporte em casos que não são de urgência.

Diante do impasse momentâneo, o marido da paciente acabou pedindo dinheiro emprestado a um conhecido e foi buscar a mulher de carro horas depois, ainda no dia 25.

“Ele trabalha como carpinteiro e gastou cerca de R$ 200,00 com combustível e pedágio. Eu não trabalho. É um dinheiro que vai fazer falta para a gente nesse momento de tantas despesas”, reclama Carla.


Maternidade garante que não faltam vagas

A Famesp afirma que não há falta de vagas de UTI neonatal na unidade. Ao todo, são dez leitos, número suficiente para atender, sem grandes dificuldades, a demanda da região.

Quando há falta de vagas, a busca pode ocorrer em qualquer outro município do Estado que ofereça a assistência adequada. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a rede estadual conta com 1.089 leitos de UTI neonatal.

Quando há necessidade de internação fora do município, a solicitação do serviço de transporte deve ser feita ao Serviço Social do Pronto-Socorro Central pelo hospital responsável pelo tratamento do paciente, conforme destaca a Secretaria Municipal de Saúde.

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