Tribuna do Leitor

Nem todos! nem tudo está perdido


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Indo para o trabalho ao final desta tarde de domingo, passava eu de carro pela rua Azarias Leite, centro da cidade, quando presenciei uma cena invulgar nos dias de hoje. Num determinado momento, olhando em direção ao calçadão, percebi pelo menos o que tudo indicava que era um pai acompanhado de sua família pedindo ao seu filho, que aparentava seus nove anos de idade, para que voltasse e pegasse um objeto que teria jogado na rua, parecendo ser uma caixinha vazia de onde teria talvez comido algo. Pois bem. O garoto parou e voltou, recolhendo com suas próprias mãos, colocando em seguida no cesto de lixo.

Vendo então aquela atitude de autoridade paterna ensinando o seu filho a portar-se educadamente e civilizadamente, um sentimento de esperança e alegria me assomou, e tentado pelo bonito comportamento daquele homem, tentei até voltar para parabenizá-lo, mas já o tinha perdido de vista. Continuei meu trajeto e, passando a refletir naquele episódio, pude concluir finalmente que nem todos, nem tudo está ainda perdido, ou seja, aquilo que deveria se tornar como regra e não uma exceção talvez não esteja tão longe assim das pessoas passarem a se respeitar mais e lutar por um mundo melhor.

Marildo Campos Brito

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