Alex Castro/Courtesy of Cubadebate/Reuters |
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Presidente aproveitou o encontro com Fidel para agradecer a participação no Mais Médicos |
A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (28) que o avião presidencial não tinha autonomia para fazer um voo direto de Zurich, na Suíça, até Havana, em Cuba. Segundo ela, a parada em Lisboa, em Portugal, no último sábado (25), foi uma das alternativas que a comitiva tinha para concluir a rota e as despesas no restaurante em que jantou foram pagas por cada integrante da equipe.
“Nesse caso, nós tínhamos uma discussão, eu podia ir ou para Boston, para Pensilvânia ou para Washington [nos Estados Unidos]. Acontece que podia ter, não se sabia se confirmaria ou não, um problema forte lá por causa das nevascas, então a Aeronáutica montou uma outra alternativa”, disse a presidenta.
“O avião, chamado Aerolula, não tem autonomia de voo, ao contrário dos aviões do México e de outros países”, disse. Segundo ela, a alternativa foi desembarcar em Lisboa com a equipe que a acompanhou na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial.
Dilma disse que pousou em Portugal às 17h30 de sábado, horário local, e saiu do país no domingo às 9h. “Quem anunciou que eu estava passando um fim de semana em Lisboa não sabe fazer a conta. Eu dormi em Lisboa”, declarou a jornalistas, entre uma atividade e outra que participou na 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
De acordo com Dilma, a conta do restaurante em que jantou com ministros após chegar em Portugal foi paga por cada um dos presentes. “No que se refere a restaurante, eu quero avisar para vocês o seguinte: é exigência para todos os ministros, e eu só faço exigência do que eu também exijo de mim, que quem jantar ou almoçar comigo pague a sua conta”, afirmou.
“Eu posso escolher o restaurante que for, desde que eu pague a minha conta. Eu pago a minha conta”, declarou após contar que pagou a conta do próprio aniversário. “Em todos os restaurantes em que estive, em alguns causando constrangimento, porque fica esquisito uma presidente e uma porção de ministros fazendo aquela conta de quanto é para cada um. Tem gente que acha estranho, eu acho que isso é extremamente democrático e republicano”.
Nesta tarde, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recebeu uma representação contra Dilma sobre os supostos gastos de dinheiro público na sua parada em Portugal.
Em Cuba, Dilma evita falar sobre reforma ministerial e superávit primário
A presidenta Dilma Rousseff disse também, em viagem à Cuba, que só vai tratar de reforma ministerial quando chegar no Brasil. Ela participa em Havana da 2ª Cúpula da Comunidade dos Países Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e deve chegar em Brasília nesta quarta-feira (29), quando deve dar os próximos passos para a escolha dos substitutos dos ministros que deixarão os cargos para disputar as eleições presidenciais.
“[Sobre] reforma ministerial eu converso no Brasil. Fora do Brasil, eu converso sobre assuntos de fora do Brasil, porque isso é uma questão de respeito com a população brasileira”, limitou-se a dizer a jornalistas nesta tarde, antes de participar de seu último compromisso na cúpula.
Segundo a presidenta, são “especulações indevidas” as informações divulgadas sobre a meta de superávit primário deste ano. “Ninguém do governo falou quanto vai ser cortado nem qual o superávit primário. Lamento que tenham sido anunciado números, valores e compromissos. Quando for a hora e ao longo do mês de fevereiro [será anunciado]”, disse, antes de comentar que esse assunto também deve ser discutido em solo brasileiro.
“Está desautorizada qualquer manchete e informação nesse sentido, tipo 'Fontes do Palácio do Planalto [dizem isso, aquilo]”, declarou. Durante a entrevista, Dilma também falou sobre a parada técnica que a comitiva presidencial fez nesse fim de semana em Portugal, escala que foi questionada por jornais e pela oposição nos últimos dias e que não constava na agenda oficial da presidenta.
Segundo Dilma, não foi convocada por ela nenhuma reunião para discutir medidas para conter os protestos contra a Copa do Mundo. “Tem umas coisas que eu não sei como aparecem no jornal […]. É importante que o estado de São Paulo esclareça as condições, como tem feito o secretário de Segurança Pública [Fernando Grella]. Esperamos esclarecimentos junto com todos os brasileiro”, disse, em referência ao manifestante que foi baleado pela Polícia Militar (LINK) do estado durante protesto contra o Mundial.
“O Brasil tem maturidade democrática. Pode olhar, poucos tiveram atitude que tivemos. Não fomos para a repressão, ouvimos as vozes e fizemos cinco pactos”, disse. Segundo a presidenta, manifestações são parte da democracia que o Brasil conquistou. “Mas eu sou contra e o governo é contra atos de violência contra pessoas e contra patrimônio publico e privado”, disse.
Dilma disse ainda que não ofereceu ajuda à Argentina, cuja moeda sofreu a maior desvalorização mensal em 12 anos. “Não tem ajuda porque em nenhum momento a presidenta Cristina [Kirchner] pediu. Ela acha que lida com aquela situação e cada país trata com sua realidade. A presidenta Cristina disse que tem todas as condições, que estão atentos e vão tratar das questões”, disse.
Dilma, que manteve encontro privado com a colega argentina nessa segunda, disse também que o país vizinho tem uma margem de manobra. “Eles têm uma grande safra e vão começar a comercializar e ainda tem restos da safra anterior, então acredito que terão condições de resolver isso”, opinou.
Dilma diz que bloqueio econômico a Cuba é injusto
Em seu primeiro compromisso oficial em Cuba, nesta segunda-feira (27), a presidenta Dilma Rousseff classificou como injusto o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde os anos 60. “Mesmo sendo submetido ao injusto bloqueio econômico, Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe”, lembrou a brasileira durante discurso de inauguração da primeira etapa do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, capital do país.
O porto custou US$ 957 milhões e, deste total, US$ 682 milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o Blog do Planalto, para liberar o financiamento, o banco exigiu como contrapartida que, pelo menos, US$ 802 milhões fossem gastos no Brasil, na compra de bens e serviços nacionais. Os presidentes Evo Morales (Bolívia) e Nicolas Maduro (Venezuela), participaram da inauguração.
A área do porto equivale a 450 quilômetros quadrados e, durante sua construção, foram criados 150 mil empregos no Brasil, diretos e indiretos. Segundo Dilma Rousseff a expectativa é que com a entrada em operação do porto e da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel o desempenho de Cuba aumente substancialmente.
A presidenta adiantou que o BNDES vai financiar a segunda etapa de construção do porto com US$ 290 milhões. "Várias empresas brasileiras manifestaram interesse em instalar-se na zona especial", garantiu.
Outro ponto destacado por Dilma foi o pontencial de comércio entre os dois países. Segundo ela, há "grandes oportunidades de desenvolvimento" nos setores de equipamentos para a saúde, medicamentos e vacinas. "O Brasil quer se tornar um parceiro econômico de primeira ordem para Cuba. Acreditamos que uma maneira de estimular a aliança é aumentar o fluxo bilateral de comércio", disse a presidenta, que vai enviar um grupo de empresários brasileiros a Cuba.
Dilma aproveitou a cerimônia para agradecer o envio de profissionais para o Programa Mais Médicos. Desde o lançamento do programa, Cuba enviou 5,3 mil médicos para trabalhar nas periferias de grandes cidades e interior do Brasil. "A participação dos médicos cubanos é amplamente aprovada pelo povo brasileiro e é uma prova efetiva de solidariedade e coooperação que preside a relação entre os nossos países", reforçou.
Ontem (28), a presidenta participou da abertura da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O encontro marcou a volta de Cuba aos organismos de integração regional. O país foi suspenso da Organização dos Estados Americanos em 1962, e agora ressurgiu como país anfitrião da cúpula, que reuniu 33 chefes de Estado e de governo e tem como tema a redução da pobreza e o combate às desigualdades regionais.
