Polícia

Caixas: PM usará armamento de guerra

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Explosões, tiros e arrancadas de veículos em alta velocidade. É assim que moradores de várias cidades pequenas da região têm sido acordados com a onda de ataques a caixas eletrônicos. Para tentar conter a ousadia e a alta artilharia usada pelos criminosos, a polícia decidiu se armar. E o contra-ataque, promete a Polícia Militar (PM), será com armamento de guerra.

João Rosan

As viaturas de Força Tática passarão a contar com fuzil 762.

Na madrugada de ontem, mais um caso foi registrado. Dessa vez, Avaí (39 quilômetros de Bauru) foi o alvo dos criminosos. Além de explodir os caixas eletrônicos, os bandidos fortemente armados investiram contra a PM. Diante do fogo pesado, três policiais não conseguiram conter a quadrilha.

Exatamente para combater essa sensação de impotência dos próprios agentes da lei, o 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI) decidiu equipar seus homens. As viaturas de Força Tática passarão a contar com fuzil 762. Já as radiopatrulhas das cidades menores receberão a carabina ponto 30.

“São armamentos portáteis e que a PM não utiliza no dia a dia. Essas armas são usadas só por oficiais e sargentos em ocorrências com risco bastante aumentado, como são algumas operações”, explica o major Flávio Jun Kitazume, comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).

O fuzil 762 tem um poder de fogo bastante forte e capacidade de 20 tiros no carregador. “É mesmo uma arma de guerra. Como as ocorrências são noturnas, há menos risco para a população”, explica. “Por isso, esse armamento ficará com as viaturas de Força Tática, que possuem um treinamento diferenciado”.

Já a carabina ponto 30 tem o poder de fogo menor. Contudo, com 30 cartuchos no carregador, é marcada pela precisão.

13 municípios

A estratégia da PM para tentar conter os crimes a caixas eletrônicos parece mesmo o contra-ataque: mostrar aos bandidos que a corporação pode contar com artilharia para o revide. “Os policiais das radiopatrulhas, que estão nas cidades menores, contavam apenas com revólveres e pistolas. Agora, eles vão ter mais segurança”, relata.

O 4º BPMI abrange Bauru e outros 18 municípios. Desses, 13 passarão a contar com radiopatrulha equipada com a carabina ponto 30. “São os policiais das cidades menores e mais afastadas”, explica o major Kitazume.

Eles já estão passando por treinamentos para poderem usar essa nova arma. São 36 horas de prática com o disparo de 120 tiros. “Esta semana, alguns já estarão aptos. Espero que, dentro de poucas semanas, todos os 13 municípios já estejam armados com a carabina”.

Tática noturna

Como a maior parte dos ataques tem ocorrido durante a noite, o 4º BPMI adotou também outra medida: colocou duas viaturas extras de Força Tática para fazerem ronda na região durante o período noturno. “Eles seguem um itinerário programado e percorrem algumas cidades da região”, explica o major Flávio Kitazume.

É exatamente essas viaturas que irão utilizar o fuzil 762. A estratégia visa amenizar a nítida fragilidade desses municípios pequenos. “A Força Tática tem um treinamento diferenciado. É exatamente a equipe que presta o apoio nos crimes maiores”.

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