A polícia registrou explosões de caixas eletrônicos em seis municípios da região de Bauru somente nos últimos 12 dias, o que representa uma média de um caso a cada dois dias. Além da destruição das agências bancárias, que deixa a população das pequenas cidades sem ter onde sacar dinheiro nem pagar contas, as ações geram sensação de insegurança e colocam em risco a vida de policiais militares, que são alvos frequentes durante os ataques.
A primeira ocorrência deste ano foi registrada no dia 16, quando grupo fortemente armado explodiu caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil de Guarantã (78 quilômetros de Bauru), na região de Lins.
A quadrilha também destruiu a frente de uma casa lotérica ao lado e levou o cofre com aproximadamente R$ 2 mil. Na fuga, os criminosos atiraram contra uma equipe da PM, mas não houve feridos.
No dia 22, em menos de seis horas, homens armados com fuzis, pistolas e espingardas explodiram caixas eletrônicos de quatro agências bancárias nas cidades de Borebi (45 quilômetros de Bauru) e Itatinga (120 quilômetros de Bauru).
No primeiro caso, os criminosos atiraram contra a base e a viatura da PM, mas, por sorte, nenhum policial foi atingido. Na segunda ocorrência, o grupo atirou para o alto para intimidar a polícia.
No dia 26, ladrões explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil localizado em um quiosque às margens do rio Tietê, região central de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru).
No mesmo dia, Érico Pereira da Silva, 48 anos, cabo da PM em Praia Grande, litoral de São Paulo, foi preso em flagrante apontado pela polícia como o líder da quadrilha.
A esposa do policial militar, Adriana do Nascimento Souza, de 30 anos, e Luiz Cláudio Soares da Rocha, de 25 anos, também foram presos acusados de envolvimento no crime.
No dia 27, aproximadamente vinte homens fortemente armados renderam trabalhadores rurais que seguiam para o trabalho e mantiveram o grupo refém enquanto explodiam caixas eletrônicos de duas agências bancárias no Centro de Bofete, na região de Botucatu (100 quilômetros de Bauru).
Durante a ação criminosa, segundo a polícia, os lavradores foram obrigados a permanecer no interior do ônibus, sob a mira de armas, para servir como “escudo” da quadrilha no caso de eventual intervenção por parte da PM.
O último caso foi registrado ontem, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), quando pelo menos seis homens fortemente armados trocaram tiros com policiais militares e explodiram três caixas eletrônicos da agência do Banco do Brasil.
Monitoramento dos ataques
Os ataques a caixas eletrônicos não são particularidade da região de Bauru. Ontem, agências em Restinga e Sorocaba também foram alvos. No último dia 17, o JC divulgou com exclusividade levantamento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) sobre a estrutura das organizações criminosas que articulam esses crimes.
O estudo mostrou que, de janeiro a agosto de 2013, foram registrados 199 furtos a caixas eletrônicos no Estado. Desses, 17% ocorreram na Grande São Paulo, 26% na Capital e 57% no Interior. Cidades de pequeno porte concentraram 35% dos casos registrados.
A maior parte dos ataques ocorreu de madrugada, entre 0h e 5h59 (59%), seguido da manhã, entre 6h e 11h (23%) e da noite, entre 20h01 e 22h59 (6%). Em geral, os criminosos utilizam armas como pistolas, fuzis e metralhadores e fogem em veículos furtados, com placas frias.
De acordo com os dados obtidos pelo JC, os assaltantes usaram algum tipo de explosivo em 145 das 199 ocorrências de furtos a caixas eletrônicos registradas no ano passado no Estado. Nas outras 54, os equipamentos eletrônicos foram arrombados de outras maneiras.