Tribuna do Leitor

Dengue: como será 2014?


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As chuvas chegaram com toda força. A partir de agora criadouros e mais criadouros do aedes aegypti surgirão eclodindo larvas dos ovos que já estavam depositados a muito tempo. O aedes tem essa característica, como seus ovos resistem a longos períodos de seca (alguns estudos concluiram que podem resistir na natureza por aproximadamente 18 meses, sem sofrer dano), nesse período o mosquito deposita seus ovos em locais que não possuem água, mas que podem acumular, quando chegam as chuvas, com a umidade, as larvas eclodem.

Precisamos despertar para a realidade e entendermos que cada morador deve manter seus quintais livres de criadouros, tomando cuidados básicos, evitando acúmulos de água, eliminando recipientes e outros inservíveis que possam vir a ser um criadouro. Alem disso, todo cidadão deve tratar a rua como extensão de sua casa. Seu bairro deve ser visto como um grande quintal, lançar lixo nos terrenos não livrará o morador do problema, na verdade transformará o problema que era individual em problema para toda a coletividade.

Neste sentido, deve-se entender que nenhuma ação que venha a ser realizada pelo poder público alcançará êxito sem a participação ativa daqueles que estão diretamente envolvidos, ou seja, a própria população. Essa responsabilidade deve ser compartilhada. Somente as ações do poder público não serão suficientes para resolver os problemas.

É sabido que o Poder Público, por via dos instrumentos administrativos de que dispõe, não tem se omitido de cumprir seu dever de exigir dos proprietários que mantenham seus imóveis cuidados adequadamente e ainda tem trabalhado visando coibir o lançamento indevido de resíduos em locais inadequados, até porque se assim não fosse assumiria para si a responsabilidade pelos riscos à saúde que podem decorrer dos materiais inadequadamente dispostos pela cidade.

Apesar de todo esforço do Poder Público, se não houver a cooperação e a participação da população no que se refere a cuidados básicos (manter quintais limpos, reservtários de água tampados, vasos e pratos de plantas dispostos de forma que não acumulem água, etc), não se alcançará êxito, então teremos um 2014 tão epidêmico quanto 2013, quando tivemos mais de 7.000 casos, com o agravante de que nesse ano será inevitável a circulação em nosso munícipio do vírus tipo 4 (DEN4), um vírus novo que colocará toda população em risco, já que ninguém está imune a ele.

Quando alguém contrai um tipo de dengue, desenvolve a doença, tornando-se imune, contudo a imunidade existe somente para aquele tipo de vírus, se a pessoa se contaminar outra vez com um outro tipo de vírus da dengue, ela pode desenvolver a FHD, forma grave da doença chamada de dengue hemorrágica, em que a pessoa doente pode ter sangramentos com choque e morte. Ressalte-se que pessoas que tenham doenças cardíacas, renais ou diabetes correm maior risco. Por fim, a prevenção contra o tipo grave da doença é o mesmo da dengue clássica. É preciso evitar os focos, pois o mosquito é o mesmo, o vírus é o mesmo, só muda a reação do organismo.

Romildo Alves da Silva

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