Articulistas

A reação dos países emergentes

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Não há dúvidas da existência dos ciclos econômicos. Ao longo da história observam-se momentos de prosperidade, com a economia funcionando equilibrada e a todo vapor, e em outros momentos quedas expressivas no desempenho econômico.

A história recente do desempenho econômico mundial comprova esta tese. Em 2008 e 2009 fomos assolados pelas crises americana e européia. Questionamentos de toda ordem colocaram em xeque o modelo neoliberal, exigindo dos governantes uma mudança de postura, atuando como verdadeiros interventores na economia. Compras de empresas que estavam para fechar, aumento do dinheiro em circulação, socorro financeiro de toda ordem, deram o tom da atuação dos governos no combate aos efeitos da crise instalada.

A leitura naquela oportunidade é que os chamados países emergentes, notadamente os que fazem parte dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ficaram fora do fogo cruzado do pessimismo da época. No jargão popular, o bloco destes países emergentes "era a bola da vez".

O capital que sobrou no mundo todo migrou para estas economias. O lucro era certo. Os BRICS se valeram desta onda de otimismo. O Brasil, mesmo sem tirar grande proveito desta fase, também foi pinçado como um país a ser considerado como destino dos recursos internacionais. Pois bem. Passados em torno de 5 anos desta fase mais aguda da crise internacional, os Estados Unidos dão demonstração de recuperação econômica, e a Europa em breve entrará na fase de recuperação.

Enquanto isso, os emergentes apresentam fragilidades e, o que é pior, o Brasil mais fragilidades ainda se comparado aos demais países com economias semelhantes.

A pressão sobre as moedas locais está forçando a elevação da taxa de juros básica para segurar as cotações internacionais. O Brasil já promoveu elevação nos juros provocada inicialmente pela inflação e mais recente por esta leitura da fuga de capitais. Outros países passaram a defender as suas moedas.

E não só isso. Estes países apresentam menor crescimento econômico. Os gargalos internos inibem o crescimento sustentado. No Brasil isso é evidente e agora a leitura é que a Índia, a Rússia e até mesmo a China têm dificuldades em sustentar o crescimento econômico.

Enfim, os ciclos econômicos existem, mas a ciência econômica já criou mecanismos de proteção ou, na pior das hipóteses, de redução destes ciclos, entretanto, para utilizar os instrumentos econômicos no momento certo com resultados esperados é preciso ser estrategista e competente, coisas que no caso brasileiro não se observam. É preciso mais do que aceitar que a economia convive com ciclos, é preciso se valer dos momentos de bons resultados e fazer a lição de casa, preparando a economia para os momentos difíceis.

No Brasil, infelizmente, quando o ambiente econômico está bom, aproveitamos pouco, e quando a coisa está ruim, caímos em desgraça. O Brasil, como emergente, reagiu, mas sem consistência e isso é preocupante.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC

Comentários

Comentários