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André Berming diz que está em débito com o sono: “Precisava de mais 2 horas por dia” |
Chegou o tão esperado fim de semana. E aí? Você já decidiu o que vai fazer nos dois dias de folga? Enquanto muitos estão em busca de atividades, outros querem tirar a data para recuperar o tempo de sono perdido durante a semana. Especialistas apontam que é preciso repor o sono, porém não adianta tirar o fim de semana inteiro para dormir.
Na correria do dia a dia, é comum não conseguirmos dormir o quanto queríamos. E, principalmente, o quando deveríamos.
“O sono é uma questão pessoal. Varia de pessoa a pessoa”, explica o otorrinolaringologista Carlos Henrique Ferreira Martins, que é especialista em medicina do sono. “A maioria da população precisa de 7 horas a 7 horas e meia de sono diário”.
O problema é justamente quando não conseguimos descansar por esse período. É a privação desse sono. Quando dormimos menos do que nosso organismo necessita, o médico explica que é preciso repor esse descanso. “É o que chamamos de sono reparador”.
É justamente nessa reposição que o especialista relembra uma frase que ele ouvia sempre de um antigo professor. “A dívida do sono se paga com sono”.
Contudo, Martins explica que não adianta querer tirar esse atraso todo de uma só vez. Ou seja, se você acha que vai dormir este final de semana todo para recuperar as energias, não é bem assim. Até porque há uma diferença entre dormir durante a noite e durante o dia.
“O sono noturno é diferente. É onde temos a liberação de hormônios e enzimas que são responsáveis para dar o início no botão de funcionamento do nosso dia. Então, por isso, não seria o ideal tentar repor o sono durante todo o fim de semana. O ideal seria fazer isso no dia a dia”, aconselha.
No débito
O projetista André Berming, 34 anos, está em débito com seu sono. Ele mesmo reconhece. “Eu acabo dormindo cerca de 6 horas por dia. Mas eu acho que eu precisava dormir mais umas 2 horas diariamente”, relata.
Assim como muitos, a rotina corrida, porém, não permite que ele “quite” essa dívida. André entra às 7h30 no trabalho e sai por volta das 17h30. “Depois, às 19h20, já vou para a faculdade. Consigo dormir por volta da meia-noite. E há dias que eu vou dormir ainda mais tarde”, comenta.
O projetista já sente os efeitos de dormir menos do que seu organismo pede. “Vai chegando perto do fim de semana e eu já estou bastante cansado. No fim de tarde de sexta-feira, percebo bastante que é difícil até me concentrar”.
Para André e tantos outros que não conseguem conciliar os vários afazeres com o sono, o especialista Carlos Henrique Ferreira Martins aponta que o ideal é “ouvir” o nosso principal aliado: o organismo.
“Não adianta calcular quanto devíamos dormir ou não. Não adianta fazer uma conta matemática disso. É preciso respeitar o nosso organismo. É ele quem vai dizer a quantidade de sono que precisa ser reposta”, conclui Martins.
Alerta
Se você estava planejando tirar o fim de semana para “hibernar” e dormir os dois dias de folga, abra os olhos (com o perdão do trocadilho). Além de a medicina apontar que não é o ideal, pode ser o alerta para algum distúrbio.
“A pessoa tem que começar a notar se essa vontade de descansar no fim de semana todo é para repor a semana que foi ruim de sono ou é algum distúrbio. Tanto a falta de sono, a sonolência excessiva quanto quem já acorda cansado são sinais de que pode estar ocorrendo algum distúrbio”, alerta Carlos Henrique Martins.
Matutino X vespertino
Quando se fala em sono, as pessoas são classificadas em dois tipos: matutinos e vespertinos. Os primeiros são aqueles que dormem cedo e acordam cedo. Já os vespertinos preferem dormir um pouco mais tarde e podem acordar também algumas horinhas após os outros.
“Mas as pessoas devem ter em mente que há diferenças em ser vespertino e trocar o dia pela noite. Aqueles jovens que vão para baladas ou que ficam a noite inteira na Internet não é algo bom. O sono que temos durante a noite é diferente do que temos durante o dia”, aconselha o especialista.
‘Pessoas nunca culpam o sono’
Está de mau humor e brigando por qualquer bobagem? Está com dificuldade para se concentrar e resolver aquele probleminha no trabalho? O culpado de tudo isso pode ser alguém que vai, literalmente, para a cama com você toda noite: o sono. “Quando a pessoa está com esses sintomas, o sono é a última coisa que eles põem a culpa. E pode ser, na verdade, o responsável por tudo”, analisa o otorrinolaringologista Carlos Henrique Ferreira Martins.
Ele explica que o sono é o momento de o cérebro ser recarregado. “O cérebro é igual a uma bateria. E é quando a pessoa dorme que ela recarrega essa bateria. É durante o sono que a memória é fixada. É o que faz com que a parte intelectual seja organizada”.
Quem não dorme direito acaba tendo inúmeros problemas. Além da irritabilidade, falta de disposição e dificuldade para se concentrar, pode até mesmo ganhar alguns quilinhos indesejáveis. A medicina já comprovou que dormir menos do que se deve altera hormônios reguladores do apetite.
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