A chamada precisão cirúrgica constitui qualidade rara que valoriza os profissionais - humanos e falíveis - porque aqueles que atuam com precisão profissional têm mais chances de afastar riscos e erros que, geralmente, constituem causa de insucessos e fracassos. No fundo ser preciso, como são os cirurgiões que dominam técnicas e procedimentos delicados que podem salvar ou melhorar a qualidade de vida das pessoas, deve constituir meta e estrela guia de qualquer profissional de qualquer atividade humana. O profissional que domina sua técnica e a utiliza com cuidadosa precisão para desenvolver suas atividades é exemplo a ser exposto, valorizado e incentivado no universo falível dos humanos.
Os fatos que geram reflexos jurídicos muitas vezes escapam do mundo restrito das pessoas que os praticam ou que neles são envolvidas e despertam interesse e curiosidade popular, geralmente por intervenção da imprensa livre, democrática e responsável que carrega como missão o dever de informar todos aqueles que têm o direito de saber e de conhecer aquilo que tenha despertado ou que venha a despertar interesse popular. O profissional da imprensa na sua atuação deve informar aquilo que deve ser informado com precisão cirúrgica e perfeito domínio de sua técnica utilizando linguagem específica que deixe clara e compreensível ao leitor comum a informação, inclusive jurídica, que tenha despertado atenção popular. O jornalismo jurídico deveria perseguir essa precisão, mas, mesmo assim, inúmeras notícias carregam imprecisões, com promotores decidindo e com Juízes pedindo, muito embora o Ministério Público apenas postule (em torno do que decidiu que deva postular) e os magistrados (diante do muito que devem decidir e mandar fazer) não tenham exatamente nada a pedir a quem quer que seja. Esse tipo de imprecisão distorce e incomoda.
Minha colaboração através do JC - que já se aproxima de dois anos - tenta superar esse tipo de incômodo diante de fatos que mereçam abordagem jurídica para tentar esclarecer leitores com precisão cirúrgica. Mesmo com muitos amigos da área, meu contato, desde o início, sempre foi com nosso João Jabbour, a quem encaminho toda sexta-feira material para a edição de sábado. Respeitando esse peculiar e agradável contato semanal, as férias dele passaram a ser também as minhas férias, porque, afinal, ninguém é de ferro e contato em férias perturba.
Nessas férias, porque não foram noticiadas a ausência (dele e minha), despertou-se curiosidade a ponto de algumas pessoas, com respeitosa preocupação, indagarem a amigos bem chegados e até mesmo a minha mulher o que estaria ocorrendo comigo, talvez imaginando problema de saúde, perda de inspiração ou algum contratempo inusitado. A preocupação, gratificante, exibe ausência notada e se esclarece com o fim das férias do João Jabbour, permitindo retomada de contato semanal em alegre retorno de colaboração que continue permitindo florescer onde estamos plantados, enquanto possível.
O autor, J. F. da Silva Lopes, é advogado