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Copa do Mundo deve gerar novos negócios

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 11 min

Éder Azevedo

Marinês Manflim com tecidos verde, amarelo e branco para a produção de sutiãs e calcinhas

A realização da Copa do Mundo no País do futebol não vai passar em branco nem mesmo na região de Bauru. Embora não estejam ocupando um espaço no mapa próximo às capitais onde os jogos serão disputados, há empresas que atendem o País todo e estão na expectativa de fecharem contratos na cor verde e amarelo.

O brasileiro vai esperar passar o Carnaval para deixar as passarelas do samba e ocupar os estádios de futebol. O clima não é diferente entre os empresários da região dos segmentos de brindes, estamparia, confecções etc. Eles aguardam o fim do Carnaval para que o clima ‘esquente’ com a realização da Copa.  Cotações de preços e alguns contratos fechados não garantem ainda, a influência dos jogos para o setor produtivo. Mas aqueles que se programaram para atender a demanda com estratégias poderão se valer do evento e garantir os custos fixos, a previsão é do economista Reinaldo Cafeo. “O que temos percebido é que alguns setores não vão incrementar as vendas com a Copa. Eles vão tentar sobreviver, substituir venda porque o mercado não vem bem. Estamos com o Produto Interno Bruto (PIB) em queda, inflação pressionando, juros em elevação. Diante desse quadro, as empresas deram uma recuada, não estão conseguindo colocar todos os seus produtos no mercado. Elas vão utilizar desse apelo da Copa do Mundo como alternativa para segurar a sua equipe e cobrir seus custos fixos.”

É um período em que as pessoas estarão mais abertas ao consumo, avisa Cafeo. “Haverá interrupção do trabalho. Um momento que as pessoas terão vontade de ter um produto alusivo a Copa, isso de alguma maneira vai acabar fomentando o mercado específico. A minha leitura é que o incremento do ponto de vista de emprego não vai ser tão acentuado. ”

Na cidade de Bariri, uma confecção de camisetas está com vários negócios em andamento, empresas cotando preço para uniformizar seus funcionários no período da Copa e aquelas que vão oferecer brindes aos clientes. Ele quer que a Copa do Mundo incremente sua produção de 26 mil peças para 35 mil.

Em Jaú, uma empresa de brindes está produzindo camisas para latas de cerveja para uma grande empresa que obteve autorização da Fifa. Ela também responde por outros brindes que estão sendo cotados. O empresário está otimista e treina mais cinco funcionários para dar conta da demanda que deve melhorar depois do Carnaval.

A fábrica de lingerie de Agudos escolheu um modelo exclusivo de sutiã e calcinha para serem confeccionados em verde-amarelo. A coleção limitada vai estar nas lojas no período da Copa. O comerciante Luiz Carlos Ruiz de Pederneiras já ambientou o bar que fica no interior de um bate bola para esperar os torcedores do Brasil. Ele pretende atrair mais de 100% dos frequentadores para consumir cerveja com espetinho. 


Venda de camiseta vai subir 35%

Uma empresa de confecção de Bariri (56 quilômetros de Bauru) está otimista com o evento Copa do Mundo no Brasil. As cotações de preços para as camisetas verde e amarela aumentaram e o empresário Paulo César Andreoli aposta que a produção mensal de 26 mil peças vai ‘saltar’ para 35 mil.

“O mês de janeiro já é forte para nós por conta dos uniformes escolares, depois vem o Carnaval. Nesse período a produção atinge 26 mil peças. Atendemos a cidade, região e o Estado de São Paulo. Em janeiro estamos com pedidos de orçamentos. Pessoal está cotando preços. Eu acredito que, a partir de março, a Copa vai alterar a produção de peças. Estamos fazendo um trabalho direcionado para o nosso cliente. Temos estratégias de marketing, estamos com quatro representantes visitando os clientes e oferecendo os nossos produtos.”

Sobre os clientes que estão cotando preços, o empresário explica. “Tem empresas querendo fazer camisetas para seus funcionários nas cores da bandeira com o logo dela e tem aquelas que vão dar de brindes para seus clientes. Estou com quatro cotações para camisetas amarelas.”

O empresário diz que não fez estoque de material verde e amarelo porque seus fornecedores são rápidos na entrega. “Eu não faço estoque de mercadoria porque meus fornecedores têm a mercadoria disponível. Eu peço e eles entregam o tecido rapidamente.”

 

Empresa pretende contratar mais funcionários por causa da Copa

O empresário do segmento de brindes de Jaú Marco Aurélio Geassi Giaconi está otimista com a realização da Copa do Mundo no Brasil. Até o próximo mês de maio, ele pretende dobrar a produção e já treina uma nova equipe para atender a demanda.

A produção mensal da empresa que atende todo o Brasil é de 40 mil peças das mais diversas modalidades. Com o incremento da Copa no país do futebol, ele pretende chegar a 80 mil peças nos meses que antecedem os jogos.

Produzir o dobro é sinônimo de novas contratações para o empresário que tem cinco novos funcionários em treinamento. “Desde o final do ano eles estão sendo treinados. Se houver um incremento muito forte, vamos contratar mais. Atualmente estamos com 35 colaboradores. As contratações foram feitas no final do ano porque nesse período temos uma demanda maior.”

As oportunidades estão surgindo a cada dia, frisa o empresário. “São cotações de preços e contratos fechados que me fazem pensar que a Copa vai ser muito boa para o segmento. Eu produzo vários itens em neoprene. São portas latas de cerveja, mamadeira, documentos, braçadeiras, capa para celular, lixeirinha de carros etc.”

Uma empresa de São Paulo já fechou o contrato para que a empresa de Jaú produza porta lata de cerveja de diversos modelos. “A empresa tem licença da Fifa. Outras cotações estão sendo feitas. Há empresas que procuram promocionais, ou seja, brindes com estampas nas cores da bandeira brasileira com a logomarca da empresa.”

Dentre aquelas que cotaram preço e ainda não efetivaram a compra há empresas do segmento farmacêutico, bebidas e bancos. “A maior demanda chega das empresas de bebidas. São clientes de todo o Brasil que encontram a nossa firma através da Internet.”

Para o empresário, depois do Carnaval o mercado de brindes nas cores verde e amarelo deve ‘esquentar’. “Se realmente houve um incremento, posso produzir até 200 mil peças.”


Lingerie verde e amarelo

Uma fábrica de lingerie de Agudos traçou em suas estratégicas para 2014 peças verde e amarelo para não frustrar as torcedoras mais ousadas. “Os sutiãs e calcinhas ainda não estão na fase de fabricação, mas programados para deixar o computador e passar para as máquinas de costura.”

A produção é limitada com modelo exclusivo, explica Evandro Manflin. “Todo ano de Copa fabricamos peças temáticas para contemplar o evento. Este ano que a Copa é no Brasil, vamos repetir a dose com ar brasileiro. A produção é limitada porque não é uma vestimenta que aparece e em anos anteriores houve sobras.”

Ele frisa que a realização da Copa em terras brasileiras não vai incrementar a produção. “São peças e não uma coleção. A lingerie é diferente de outras peças do vestuário porque não aparece. Acredito que camisetas e outros produtos que aparecem conseguem ter mais aceitação do público.”

 

Comerciante de Pederneiras se prepara para o hexa

O comerciante Luiz Carlos Ruiz está otimista com a Copa do Mundo. Mandou pintar o bar que fica no interior do Bate Bola em Pederneiras de verde e amarelo rumo ao hexa. Ele prepara o ambiente para receber os torcedores que quiserem assistir aos jogos do Brasil na TV.

Contagiado pelo clima da Copa, o comerciante pretende atrair 150% a mais de frequentadores.

“Normalmente atendo 80 pessoas em dias de jogos aqui. Pretendo atrair além dos jogadores, os torcedores do Brasil. Minha capacidade é de 200 pessoas. Caso isso se concretize, vou contratar. No momento eu e minha mulher trabalhamos. Vou fazer espetinhos para os clientes consumirem com cerveja.”

Ele conta que a pintura que foi patrocinada por comerciantes está sendo comentada pelos frequentadores. “Pintei a parede com textura e fiz uma faixa. O pessoal está falando que eu já entrei no clima. É verdade. Minha estratégia vai além. Quero fazer sorteios de camisetas verde e amarela nos dias de jogos.”

 

Educação leva Copa do Mundo às escolas públicas

A Secretaria da Educação do Estado vai fazer da Copa do Mundo no Brasil uma oportunidade de aprendizado e já iniciou a orientação a todos os professores, coordenadores e gestores da rede estadual. A proposta é que o maior campeonato de futebol seja levado para sala de aula e esteja presente nas mais diferentes disciplinas, inclusive como estratégia em ações que visam aproximar ainda mais a comunidade da rotina escolar.

Um dos exemplos é o currículo do Estado de São Paulo, unificado em todas as mais de cinco mil escolas estaduais, sendo 181 na região de Bauru. Nele está previsto que aulas de Educação Física trabalhem atividades sobre princípios táticos e técnicos do futebol, ‘papel do torcedor’, ‘fair play’, ‘transmissão pela tevê’, ‘a história da Copa’, ‘futebol de várzea’, para ampliar os conhecimentos dos alunos não só na prática e também na teoria sobre o esporte. Todos os tópicos são trabalhados em sala de aula.

A Coordenadoria Geral da Educação Básica (CGEB), órgão da Secretaria, foi a responsável por definir o currículo e as orientações também já começaram a ser feitas aos professores de História, Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Matemática e Ciências. No final de 2013, a Secretaria misturou futebol e matemática e a Copa foi o mote da etapa que definiu o vencedor da Jornada de Matemática estadual, disputada em todo o Estado.

“Neste ano, elaboramos um calendário especial para a Copa do Mundo, antecipando o início das aulas para o dia 27 de janeiro e trazendo o recesso do meio do ano para os dias 12 de junho e 13 de julho, período dos jogos. A alteração mantém os 200 dias letivos e diminui as interferências na rotina escolar. Além disso, a Copa pode ser utilizada como tema das feiras culturais e eventos esportivos organizados pelas mais de cinco mil unidades escolares”, afirma o secretário da Educação, professor Herman Voorwald.


Estratégias deveriam ter sido traçadas com antecedência

Reinaldo Cafeo comenta que as estratégias das empresas têm que ser feito no ano anterior. “Talvez os empresários, por falta de recursos, e por não terem percebido o clima, não se deram conta. Algumas estratégias são mais fáceis se a gente pensar em vitrines, produtos de brindes produtos de baixo valor agregado e que você possa substituir uma marca. Se pensar numa estratégica efetiva de marketing com a exposição de marca não dá mais tempo.”

De qualquer maneira, segundo ele, cria se um clima. Isso deve acontecer muito forte após o Carnaval. “Os setores poderão correr atrás. Quem estiver mais perto das Capitais onde ocorrerão os jogos terão condições mais favoráveis”, diz o economista.

O mesmo pensamento direcionou as ações do Sebrae, segundo o gerente do escritório regional de Bauru,  Milton Di Biasi. “O Sebrae do Estado de São Paulo está antenado com esse assunto e focou as capitais e região onde serão realizados os jogos.  Não temos um trabalho voltado ao Interior no sentido de preparar esses empresários.”

O economista critica a inércia de uma parte do meio empresarial. “Estamos sabendo que a Copa do Mundo será no Brasil há tempos. Seria um grande momento para o País apresentar para o turista que veio para cá e a exposição na mídia para trabalhar mais seus produtos. Poderíamos ter um preparo maior para usar as próprias estruturas de entidades já constituídas para que isso pudesse acontecer se não fizeram isso, vão perder uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o que se faz aqui. Os produtos típicos. Há estratégias da Secretaria de Desenvolvimento, Comércio Exterior em participação em feiras internacionais.”

Para ele, a inércia do empresariado brasileiro talvez seja reflexo do comportamento do setor público. Com exemplo ele cita os Jogos Abertos em Bauru. “Período que teve uma movimentação grande de pessoas, guardada as devidas proporções em relação a Copa. Fomos incapazes de capitalizar para o município um momento de consumo.”


Mercado de tintas está de olho no evento

Que a Copa do Mundo vai movimentar o mercado de estampas é certo, mas a esperança daqueles que trabalham com tintas voltadas ao segmento,  no Interior Paulista, é que o aquecimento nas vendas ocorra após o Carnaval.

Segundo o empresário do setor em Jaú  Wildiney Baraldi, o mercado caminha a passos lentos. “Não fechamos negócios ainda nas cores verde e amarelo como era esperado. Nem cotações de preços. A Copa e as Olimpíadas são apostas das indústrias que represento.”

Baraldi explica que fornece tintas para quem vai estampar ou fazer impressão digital, adesivos etc. “Eu percebi o uso das cores símbolos do Brasil, nas estampas de calendários tanto de mesa como de parede, no final do ano passado. Algumas empresas fizeram como brinde.”

A expectativa é que algumas empresas ainda façam brindes para seus clientes. “Nas Capitais, especialmente em São Paulo, as lojas estão estocadas com produtos fabricados na China, o que prejudica o mercado interno.”

 

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