Malavolta Jr. |
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Além dos ferimentos no braço, vítima teve o nariz deslocado com os chutes dos bandidos |
Imagine estar andando pela rua em pleno dia e ser surpreendido por um chute nas costas. Foi isso que um jovem de 19 anos viveu no Jardim Brasil quando voltava para sua casa. O vendedor foi mais uma vítima dos vários assaltos a pedestres que são registrados com frequência neste começo de ano. A polícia alerta: por conta do crack, os viciados na droga já estão preferindo roubar (subtração com ameaça) a furtar.
O roubo do vendedor ocorreu na semana passada na quadra 2 da rua dos Radioamadores, por volta das 16h30 da tarde. “Eu tinha saído do trabalho e voltava para a casa. De repente, senti um forte chute nas costas”, conta o jovem, cuja identidade foi preservada pela reportagem.
Enquanto ele caía, veio outro criminoso e golpeou seu rosto. “Ele me deu um chute no nariz. Sangrou muito e deslocou meu nariz. Com isso, minha visão já apagou”. Além do ferimento no rosto, o jovem ficou com lesões pelo braço por conta da queda.
A dupla fugiu levando o celular da vítima e R$ 20,00. Crime esse que se tornou mais do que comum em Bauru (leia mais abaixo) e que revela uma tendência preocupante. Para sustentar o vício, os criminosos estão mudando de “modalidade”.
A afirmação é da própria polícia e os dados comprovam isso. Conforme o JC divulgou esta semana, a estatística da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mostra uma gangorra entre roubos e furtos em 2013 em relação ao ano anterior. Enquanto os primeiros cresceram 2,7%, os furtos caíram cerca de 11%. Foram, ao longo de 2013, 1.106 roubos.
“E a grande maioria desses roubos são a transeuntes. São em locais e horários que passam usuários de drogas. Por isso, fazemos essa relação”, aponta o major Flávio Jun Kitazume, comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).
Esses assaltantes estão à procura de objetos – geralmente de baixo valor – para usar como moeda de troca no tráfico. “É exatamente o roubo para sustentar o vício. É um tipo de crime, cuja investigação depende muito da colaboração da vítima. Geralmente, não há testemunhas e, por isso, é importante essa participação da vítima”, explica o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines.
Prefere o risco
Analisando os crimes e os dados, o que a polícia aponta é uma espécie de mudança de perfil de quem está em busca de moeda de troca para alimentar o vício. “É algo que temos notado. O viciado não tem o interesse de planejar um furto e, depois, sair da casa da vítima com uma TV nas costas, por exemplo. Ele prefere assaltar um transeunte na rua e roubar seu celular”, esclarece o major Kitazume.
Contudo, mesmo com tal mudança de perfil, os furtos continuam e não são poucos (leia mais na página ao lado). Porém, o que a polícia tem notado é que o “noia” prefere correr um risco maior para conseguir o “resultado” mais rápido.
“O furto seria menos arriscado, pois, por exemplo, não há possibilidade de a vítima reagir na maioria das vezes. Mas é a droga que tem feito isso. Que tem causado esta mudança. Hoje, o criminoso está preferindo assaltar o transeunte a furtar”, alerta o major.
Ele, porém, destaca que a grande maioria desses roubos “são de menor potencial ofensivo”. “O roubo é sempre considerado grave, mas, nesses casos, são de menor potencial. Muitas vezes, o bandido nem está armado. É diferente do roubo grande, como é o assalto a uma residência”.
Ladrão x Assaltante
Muita gente não sabe, porém, furto e roubo são crimes diferentes. O primeiro é previsto no artigo 155 do Código Penal e significa “subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”. Ou seja, subtração sem que a vítima perceba e sem ameaça. A pena vai de 1 a 4 anos.
Já o roubo é o artigo 157, que traz: “subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”. A pena é maior: 4 a 10 anos. Assim, quem comete furto é popularmente chamado de ladrão. Já o autor do roubo é assaltante.
Casos têm sido frequentes em 2014
Desde o início do ano, os roubos a pedestres têm sido constantes. Logo no 1º dia de 2014, um homem registrou que teve a carteira e celular roubados na avenida Rodrigues Alves.
No dia 7, foi a vez de dois adolescentes perderem seus pertences. As vítimas, ambas com 17 anos, foram rendidas por um casal portando uma arma de fogo nos Altos da Cidade. No mesmo dia, outro jovem, de 18 anos, teve a mochila, que continha tablet e roupas, roubada no Parque Jaraguá.
Dois dias depois, um pedestre, de 19 anos, foi a vítima da vez. Ele caminhava pela quadra 26 da Nações Unidas quando foi abordado por um trio. Mediante a ameaças, os criminosos levaram o notebook, celular e R$ 250,00.
Na madrugada do dia 15, um homem, de 28 anos, foi, além de roubado, agredido. O crime ocorreu na quadra 2 da Rodrigues Alves e a vítima perdeu cerca de R$ 1,5 mil e o celular.
A casa caiu
Apesar de os ladrões terem conseguido escapar na maior parte dos casos, teve situações que o final não foi feliz para os criminosos. Na madrugada do dia 12, três pessoas foram presas após roubar e agredir um pedestre que passava pelo Centro da cidade.
Quatro dias depois, foi a vez de uma dupla ser detida pela PM. Os assaltantes tinham, pouco antes, assaltado três pedestres também na região central de Bauru.
No dia 19, um homem de 34 anos foi preso após tentar roubar um pedestre na praça Dom Pedro II. A vítima fugiu do ladrão, que estava armado com uma faca, e acionou a PM.
