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Mau cheiro do rio amplia grupo pró-Tietê

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis

Grupo de cidadãos esteve ontem na antiga sede Náutica do Bauru Tênis Clube (BTC)

O mau cheiro está gerando a mobilização de frequentadores e ribeirinhos do rio Tietê. Neste sábado (01), empresários, pescadores e proprietários de imóveis na margem do rio se encontraram na Sunset Marina Náutica, antiga sede náutica do BTC em Pederneiras, para discutir o engajamento pela reivindicação junto às autoridades para o diagnóstico e o combate ao mau cheiro insuportável que afeta várias cidades.

Durante o trajeto de Bauru até a ponte do rio, em Pederneiras, o forte odor similar a de um chiqueiro já era sentido pela reportagem na alça de acesso da rodovia Bauru-Jaú para a entrada da antiga sede Náutica do BTC.

A ocorrência ampliou a mobilização pela recuperação do rio como opção de lazer, pesca e descanso. O empresário Fernando Gimael está no grupo. “Todos os paulistas devem se mobilizar pelo enfrentamento do mau cheiro que afeta não só aqui a Naútica em Pederneiras, mas diversas outras cidades banhadas pelo Tietê e onde a permanência está se tornando um problema de saúde”, comenta.

O produtor de programa de pesca na TV e frequentador assíduo do rio, Oneir Caçador, explicou que está mobilizando e chamando os ribeirinhos para sensibilizar as autoridades pelo diagnóstico do mau cheiro.

O guia de pesca Marcos Cavalieri diz que o problema se estende a Arealva e Iacanga.  Há muita dúvida a respeito da causa do mau cheiro. “Técnicos, como da Cetesb, estariam apostando nas algas como a origem do mau cheiro. Mas o rio e os paulistas precisam ter algo concreto”, comenta Lúcia Beviláqua.

 

Alga ou aguapé podre?

Poluição associada à algas ou mau cheiro resultante do apodrecimento de aguapés no rio? Até ontem, a aposta era de que o mau cheiro estava associado a acúmulo de despejo de esgoto no rio associado a algum processo biológico ocorrido com algas.

O empresário de equipamentos náuticos Rogério Cardoso lança outra hipótese.  “O rio Tietê tem seu nível de oxigênio (BDO) em queda no tempo, isso é realidade. O fato é que o aguapé se espalha em pontos de água parada do rio e se beneficia da ausência de oxigênio. Ao completar seu ciclo, o aguapé morre e seus sedimentos apodrecem em áreas rasas próximas da margem do rio. O aguapé apodrecido no meio da umidade é que gera esse odor fétido. Basta tirar os sedimentos apodrecidos e verificar a origem do cheiro”, afirma.

Na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), por exemplo, a supressão dos aguapés e a manutenção das margens sem os sedimentos eliminou o forte odor, sobretudo em dias mais quentes.

O aguapé, segundo biólogos que também analisaram o mesmo problema no rio Parnaíba, é um fator indicativo de grande concentração de matéria orgânica decomposta, ou seja esgoto in natura. Em pequenas quantidades, o aguapé faz até bem para o rio, mas o aumento é prejudicial. Em excesso, o aguapé impede que a luz solar penetre na águam afetando a sobrevivência dos peixes nesses pontos.

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