Eles compõem a infraestrutura urbana e atendem, primordialmente, à circulação de veículos, encurtando distâncias e desafogando o trânsito. Você, assim como milhares de bauruenses, deve passar diariamente por ao menos um viaduto no trajeto de casa ao trabalho, escola ou lazer. Mas como estão essas estruturas?
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Malavolta Jr. |
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Viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, o mais extenso de Bauru |
Tendo ou não problemas, é a Secretaria Municipal de Obras que realiza a manutenção e conservação dos viadutos da cidade. De acordo com o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, nenhum dos viadutos municipais necessita de reparos emergenciais. O que há, segundo ele, é a necessidade de melhorias.
O viaduto da 13 de Maio (João Simonetti), por exemplo, precisa de nova capa asfáltica. Alças de acesso também estão entre as melhorias que podem ser feitas. Rodrigues ainda comenta que uma das construções privilegiadas em estudo é o viaduto da Duque de Caxias sobre a avenida Nações Unidas (23 de Maio). “Ali temos um projeto de alça de acesso em estudo para melhorar o sistema viário”. O viaduto Antônio Eufrásio de Toledo também está no cronograma de recape do asfalto.
Matérias já veiculadas pelo próprio Jornal da cidade apontaram o temor de pedestres, no viaduto da 13 de Maio, com a dilatação dos vãos. Segundo Rodrigues, a secretaria realizou há alguns anos um estudo dos vãos do viaduto em questão e não foi constatada nenhuma irregularidade. “No entanto, iremos vistoriá-lo, assim como os demais, para identificar a necessidade ou não da contratação de novo estudo”.
O tremor sentido sobre viadutos é normal, segundo especialistas, dentro de certos limites, avaliados em estudos de manutenção.
Quais são e que regiões são ‘ligadas’ por eles? Segundo a Secretaria Municipal de Obras, há 12 viadutos em Bauru:
- Nuno de Assis: liga o Centro à Vila Falcão. Foi construído em 1971 e reformado em 2012.
- Mauá: construído em 1950 e reformado em 2012. Faz ligação entre a Vila Falcão e o Centro de Bauru.
- Antônio Eufrásio de Toledo: liga a região da Duque de Caxias à Vila Falcão e foi construído no início da década de 1980.
- 23 de Maio: está sobre a avenida Nações Unidas, dá continuidade à Duque de Caxias e foi construído em 1975.
- João Simonetti: liga o Centro ao Jardim Bela Vista e à avenida Nuno de Assis pela rua 13 de Maio. Foi inaugurado em 1973.
- Juscelino Kubitschek: construído entre os anos de 1956 e 1959, liga o Centro ao Jardim Bela Vista pela rua Azarias Leite.
- Viaduto de ligação entre o Santa Luzia e Beija-Flor: construído em 1975.
- Viaduto Ayrton Senna: faz ligação entre o Jardim Chapadão (Mary Dota) e Distrito Industrial I e foi construído em 2000.
No município, há ainda os viadutos da rua Alto Purus sobre o Rio Bauru, construído em 1980; da rua Araújo Leite sobre o Rio Bauru, construído em 1980; da rua Aimorés sobre o Rio Bauru, construído em 1987 e da rua Araújo Leite sobre os trilhos da ferrovia.
A passagem da avenida Nações Unidas com a Nuno de Assis, sobre o Rio Bauru, foi construída em 1980 e não é um viaduto, uma vez que é feita com células de concreto.
Estão em fase de licitação as obras de outros dois viadutos, sobre a malha férrea urbana. Um será construído na av. Comendador José da Silva Martha e o outro na rua Waldemar Pereira da Silva, próximo à ponte Ayrton Senna, que liga o Mary Dota ao Distrito Industrial 1.
Fonte: Assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru e arquivo JC
Sem falha estrutural grave, mas carente de manutenção
Sem evidências de que as estruturas estejam comprometidas e representando perigo, mas precisando de melhor manutenção para garantir que grandes danos não surjam e comprometam a rigidez, durabilidade e segurança das estruturas. Em um primeiro olhar, essa é a impressão que os viadutos de Bauru passam, segundo o vice-chefe do departamento de engenharia civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Carlos Eduardo Javaroni, e o professor Caio Gorla Nogueira, também da Unesp.
Os professores acompanharam a equipe do JC até os viadutos 23 de Maio, Juscelino Kubitschek e João Simonetti com o objetivo de fazer uma “inspeção visual” para observar as construções e identificar o que os olhos leigos não enxergam. É importante frisar que não foi feita análise técnica.
O primeiro visitado foi o viaduto 23 de Maio, que se estende pela avenida Duque de Caxias e passa sobre a avenida Nações Unidas. Ele foi concluído em 1975 e a obra teve início em 1973. Este é o que aparenta melhor conservação, com pintura, capa asfáltica em bom estado, embora abrigue um bueiro entupido com areia sobre a via.
A estrutura ainda é aproveitada para lazer e serviços. Sob o viaduto, está instalada uma base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além de uma área onde pessoas se reúnem para jogar baralho. Entretanto, um de seus vãos abriga, também, moradores de rua.
“Há um pouco de fuligem e infiltração, que indica a presença de água e pouca manutenção. Por outro lado, não há trincas ou outros defeitos que possam gerar preocupação”, aponta Javaroni.
Juscelino Kubitschek
Conhecido também como viaduto JK ou o viaduto da Azarias Leite, ele liga o Centro ao Jardim Bela Vista. Construído entre os anos de 1956 e 1959, segundo arquivos do JC, sua construção foi uma promessa do então prefeito Nicola Avallone Júnior aos moradores do Jardim Bela Vista. O político teria batizado o viaduto com o nome do ex-presidente com a intenção de conseguir verbas a fundo perdido para sua construção. Como isso não ocorreu, o prefeito concluiu a obra com recursos municipais.
Com idade avançada, o JK é o que mais apresenta “imperfeições”, de acordo com os professores da Unesp. Entretanto, aparentemente a estrutura não está comprometida. É possível notar pontos de armadura aparente, ou seja, as barras de aço perderam a camada de proteção (concreto). Muitas dessas estruturas expostas já estão em processo de corrosão.
“É imprescindível que se proteja as barras para evitar a corrosão. Quando sofrem tal ação, a reação é expansiva, forçando o concreto de dentro para fora, o que aumenta a quantidade de fissuras e trincas, podendo comprometer a rigidez da estrutura e, com isso, a sua durabilidade e segurança”, explica o professor Caio.
Apesar da aparência segura do JK, os profissionais explicam que a corrosão é progressiva e a solução está na manutenção efetiva. Além das barras expostas, manchas brancas na estrutura denunciam infiltrações.
“Quando posto em prática, um programa de manutenção pode até mesmo baratear os custos dos reparos. Isso porque grandes danos podem ser evitados e a vida útil da construção, prolongada. Se tais reparos forem sendo deixados para depois, a intervenção certamente ficará maior e mais cara”, aponta Javaroni.
Vida longa
Segundo os entrevistados, um viaduto pode ter uma vida longa e secular, quando bem cuidado. A manutenção constante só aumenta esse tempo útil que é de, no mínimo, 50 anos.
Viaduto João Simonetti
O viaduto João Simonetti, conhecido com o viaduto da 13 de Maio, justamente por ligar o Centro ao Jardim Bela Vista e à avenida Nuno de Assis por esta rua, abriga um dos maiores problemas sociais do momento: é reduto para usuários de crack que, dia e noite, se aglomeram ali para consumir substâncias entorpecentes. O elevado foi inaugurado em 1973.
O problema mais aparente está na base ao lado do Rio Bauru, que apresenta barras de ferro corroídas. Em alguns pontos da parte inferior da estrutura, onde possivelmente estão as estacas, muitas barras estão soltas e o concreto ao lado se solta com facilidade. “Apesar dos pilares estarem aparentemente íntegros, com o tempo pode-se perder a capacidade de resistência da barra e da peça como um todo”, analisa Nogueira.
Esgoto
O forte odor que vem do Rio Bauru com o esgoto desperta outra preocupação em Javaroni. “O esgoto possui agentes corrosivos. Quando chove, o rio alcança toda essa parte inferior do viaduto, o que acelera o processo de corrosão”.
Árvores no concreto
Foi possível encontrar plantas, como samambaias, e até mesmo árvores que crescem livremente em praticamente todos os viadutos visitados pela equipe, o que é normal nesse tipo de construção devido à umidade, segundo os profissionais consultados.
“Essas espécies muitas vezes são trazidas pelos pássaros, ventos... E encontram refúgio na umidade e sombra dos viadutos. Contudo, cabe ressaltar que essa vegetação pode ser localizada e retirada em inspeções, já que, em longo prazo, as raízes em grande quantidade podem pressionar a estrutura, além de serem indicadores de corrosão nas barras de aço”, observa o professor Caio.
O que pensam os moradores que fazem uso diário dos viadutos para chegar de um ponto da cidade a outro, para o trabalho, escola e lazer? Para o vice-chefe do departamento de engenharia civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Carlos Eduardo Javaroni, viadutos são construções fundamentais para as cidades, feitos para a transposição de obstáculos, vias, vales... “Imagine pegar a avenida Cruzeiro do Sul e fazê-la atravessar a rodovia Marechal Rondon em nível?”.
Já para a aposentada Neuza Lins Honorato, que frequentemente atravessa o viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, o “Toledão” ou o gigante do vale, como também é chamado, a história é outra: o que falta nos viadutos é proteção para os pedestres. Ela mora na Vila Ipiranga e passa pelo lugar para passear e visitar familiares.
“Eu gosto de andar e passo por este viaduto umas três vezes por semana, ao menos. Para os carros eu acho que está tudo bem, mas não para os pedestres. Para atravessá-lo na altura da rua Célio Daibem, por exemplo, não há faixa. Outra coisa que eu noto é a falta de acessibilidade e segurança para as pessoas com deficiências. Conheço um moço que já caiu por aqui”, relata.
O gigante do vale liga a região da avenida Duque da Caxias à Vila Falcão e foi construído no início da década de 1980. Ganhou tal apelido por ser o maior de Bauru, com cerca de 300 metros de comprimento. É um ponto indispensável de ligação entre o Centro e a zona oeste da cidade, o que pode ser notado com o congestionamento em horários de pico. Debaixo dele está localizado um dos ecopontos da cidade.
Mauá e Nuno de Assis
O viaduto Mauá faz ligação entre a Vila Falcão e o Centro da cidade. É o mais antigo de Bauru: foi construído em 1950. Em 2008, perto de completar seis décadas de uso, ele foi interditado para reforma depois da identificação de sérios problemas estruturais. Após anos de reforma, foi reaberto em 2012.
Quem passa por ali diariamente é o chaveiro Joacir Gonçalves Silveira. Supermercado, farmácia, padaria... Para tudo o morador da Vila Santa Clara atravessa o Mauá em direção à Vila Falcão. E por andar com frequência é que ele também se preocupa com a segurança dos pedestres.
“Depois da reforma ficou melhor. Mas o governo pensa muito nos carros e pouco nas pessoas. Eu acho que falta, apenas para dar um exemplo, uma grade de proteção isolando a calçada da pista, como se fosse uma passarela mesmo. Isso seria ótimo. Já vi atropelamentos aqui.”
Nuno
Já o viaduto Nuno de Assis, que também liga o Centro à Vila Falcão, foi construído em 1971 e reformado em 2012. É um dos mais movimentados da cidade.
O impasse do viaduto inacabado
Conforme o JC vem publicando, a novela da primeira alça do “viaduto inacabado” se arrasta desde 1993 e gerou parte da grande dívida federalizada de Bauru, que consome mais de R$ 12 milhões ao ano dos cofres da prefeitura. O terceiro prazo para a entrega da obra, que seria fevereiro de 2014, não será cumprido. No início de janeiro, nem 80% do serviço contratado para o viaduto inacabado havia sido feito, de acordo com cálculos da Prefeitura de Bauru.
Segundo o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, não há um novo prazo para o seu término. Ele aponta que a obra está em ritmo lento e que uma nova medição para avaliação ainda precisa ser feita. Acredito que esses cálculos serão feitos nos próximos dias, mas ainda não temos uma nova data para a entrega da obra”.
A última matéria feita pelo JC mostrou que, até outubro do ano passado, a Secretaria Municipal de Obras e a Bema Construções, empreiteira de Piracicaba vencedora da licitação para executar a obra, viviam um impasse. O município oferecia aditivo de R$ 800 mil para a execução de obras complementares, mas a empreiteira não aceitava a oferta. Depois de muita negociação, a prefeitura decidiu fazer os serviços por conta própria e gastará cerca de R$ 300 mil com material. O valor inicial da obra era de R$ 5,9 milhões.
Os serviços adicionais vão garantir a construção de acessos do viaduto até a avenida Nuno de Assis, com 61 metros de prolongamento, e até a praça Espanha, com 360 metros. Além disso, estão previstas as construções de calçamento para esses acessos e guarda-rodas de concreto para evitar colisão e queda de veículos do viaduto.
Paralisação
No dia 8 de janeiro, os funcionários da Bema Construções pararam o trabalho no período da manhã e retomaram à tarde, após os pagamentos atrasados serem pagos.