Douglas Reis |
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João Ferreira percorre os bairros vendendo hortifrutis |
A criatividade do brasileiro prova diariamente que não é preciso ter muito dinheiro para se destacar na multidão e fazer fama. E não há melhor lugar do que as ruas para mostrar isso. Na manhã de ontem, a equipe do JC percorria a cidade cumprindo as pautas do plantão quando se deparou com uma quitanda itinerante puxada por um cavalo. A criatividade e o capricho do invento chamaram a atenção. A cena inusitada foi protagonizada por “seo” João Ferreira, 67 anos, e seu fiel companheiro, o cavalo “Gigante”.
A venda pensada e construída pelo inventivo feirante, e puxada por “Gingante”, leva sobre si uma porção dos itens encontrados em uma feira comum: verduras variadas, muitos legumes, frutas da estação, ovos, pimenta, queijo. O carro-chefe é a alface. Tudo fresquinho e abastecido na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru.
“Busco lá (no Ceagesp) e vendo em diversos bairros da cidade. Percorro dois deles a cada dia, todos os dias da semana. E minha banca móvel volta vazia para a casa”, conta “seo” João, que mora na quadra 2 da avenida Darcy César Improta, na Vila Santa Luzia. Só de freguesas fixas, daquelas em que o vendedor pode confiar, como ele diz, são cerca de duzentas. Por onde passa, “seo” João é chamado de “o verdureiro da carroça”.
Tudo começou quando o peso do carrinho de mão que levava as verduras passou a prejudicar o verdureiro. “Mas essa não é a minha primeira carroça. Tive outra antes, mas fomos atropelados por um caminhão há poucos anos. O Gigante nada sofreu, mas eu fraturei uma perna e perdi meu meio de trabalho”, lembra.
Montada sobre a carroça, a armação da atual quitanda é feita de ferro e coberta com uma lona resistente. Tudo no capricho. Sob ela, os alimentos seguem rua afora protegidos do sol e da chuva. “Eu bolei e montei este trabalho exatamente para que os produtos cheguem mais frescos à clientela. Tiro o meu sustento dele há oito anos”.
‘Amigo Gigante’
Já o cavalo Gigante foi presente de um fazendeiro conhecido de “seo” João. Ele tem oito anos de idade e está com o verdureiro há seis deles. “Este que me leva é o meu melhor amigo. Moro sozinho, e ele me faz companhia”.
