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Os caixas eletrônicos não são dos bancos?

Sálvio Condé de Oliveira Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Havia um tempo em que os bancos pouco se preocupavam com o atendimento às pessoas que não eram correntistas, que iam às agências apenas para pagar contas ou realizar depósitos. Diante de tanta reclamação, da eminente perda de confiança do povo, do aumento da demanda de serviços bancários, da necessidade de justificar tantas taxas cobradas pelos serviços e da real necessidade de bem atender o povo, os bancos foram se adequando aos anseios da população, criando novos serviços, melhorando o atendimento de diversas formas. Hoje em dia praticamente não se enfrenta fila no banco e se há, podemos esperar sentados no ar condicionado, água e café são oferecidos, atendentes educados, número de caixas de autoatendimento suficientes para que não se perca tempo.

E é aqui que queria chegar: Caixas eletrônicos. São equipamentos de grande utilidade. No começo, era possível sair de casa a qualquer hora até de madrugada para sacar dinheiro. Daí os bandidos viram que era mais fácil assaltar uma pessoa de madrugada que acabara de sair do caixa e sacado seu suado dinheirinho. Depois de muito prejuízo os bancos viram que a segurança do povo estava em risco e que a polícia não tinha como acabar sozinha com essa prática delituosa, resolvendo assim, restringir a utilização dos aparelhos de autoatendimento até às dez horas da noite e a partir das sete da manhã. De fato isso diminuiu muito os assaltos ao povo. Colocou os caixas eletrônicos dentro de supermercados, farmácias, rodoviárias, shopping entre outros locais que poderiam oferecer maior segurança aos usuários.

Pois bem, como os bandidos não são nada ingênuos, começaram a utilizar outras técnicas para "sacar" dinheiro alheio. De novo os bancos entraram em ação utilizando a tecnologia para diminuir essas práticas tais como câmeras internas, acesso com impressão digital aos caixas, senhas e mais senhas, informações à população de como os golpes são aplicados e etc. Antigamente, e não se vai muito tempo, as explosões de caixas eletrônicos não existiam.

Hoje em dia, os bandidos voltaram ao jeito violento de ganhar dinheiro. Utilizam de explosivos para arrombar os caixas eletrônicos, causando estrago aos estabelecimentos que possuem esses equipamentos e levando de modo geral muita "grana" nessas investidas. E agora? Onde estão aqueles caixas que contiam tintas para marcarem as notas espalhadas pela explosão? Não se utiliza mais? Ou será que os bancos possuem um seguro tão bom contra esses assaltos que não se preocupa mais em marcar as notas?

Ah, mas tempos a polícia para coibir esses assaltos. Homens preparados para enfrentar esses bandidos fortemente armados que não hesitam um segundo sequer para abrirem fogo contra os policiais que quase sempre estão com armas menos poderosas para enfrentá-los. Seria necessária uma bola de cristal para que a polícia adivinhasse onde e qual banco ou caixa eletrônico seria assaltado, pois quando são informados do roubo, chegam ao local quando tudo já está destruído e os ladrões sumidos no espaço. Não há efetivo na polícia para se colocar um PM próximo a cada banco ou caixa. Aí eu pergunto: os caixas eletrônicos não são dos bancos? Não seriam eles os responsáveis para garantir a segurança dos equipamentos que pertencem a eles?

É, mas os bancos não querem garantir essa segurança, fica caro demais. Não é por menos que vários estabelecimentos não querem mais caixas eletrônicos dentro de suas lojas.

Mas há uma solução prática, simples e que poderia acabar com essa onda de explosões: assim como os bancos decidiram restringir o horário de funcionamento dos caixas, eles poderiam usar a prática de esvaziar os equipamentos nos horários que não estão sendo utilizado.

Ora bolas, se não vai ser utilizado, por que ter dinheiro nos caixas? Se não tem dinheiro não tem porque se explodir um aparelho para retirar notas que lá não estão. Vamos deixar a ganância de lado senhores bancos, coloquem a mão no bolso, preparem ou contratem funcionários ou seguranças para realizarem esse esvaziamento dos caixas nos horários inertes.

É possível que o dinheiro que vão gastar com esses funcionários será bem menos que ficar repondo os equipamentos destruídos pelas explosões. E o mais importante: vamos diminuir em muito as mortes de policiais nas ocorrências de explosões a caixas eletrônicos. Policial também é pai de família!


Sálvio Condé de Oliveira Souza ? subtenente de Infantaria, chefe do Tiro de Guerra de Bauru

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