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Gobbi lembrou também da briga entre torcedores de Vasco em Corinthians, em Brasília, em agosto do ano passado |
O presidente do Corinthians, Mario Gobbi, admitiu que um dos 12 presos de Oruro estava no grupo que invadiu o centro de treinamento do clube, no Parque Ecológico do Tietê, no último sábado.
Em entrevista coletiva, o cartola considerou isso lamentável, mas disse que a participação do torcedor não muda sua avaliação sobre o que ocorreu em Oruro, em 20 de fevereiro de 2012.
Na ocasião, 12 torcedores do Corinthians foram presos na Bolívia sob suspeita de assassinato do menino Kevin Espada, que foi atingido no olho por um sinalizador disparado da arquibancada onde estava a torcida alvinegra no duelo contra o San José, pela Libertadores.
A Justiça liberou sete torcedores em julho e outros cinco em agosto do ano passado por falta de provas, além de uma mobilização do Corinthians e do Ministério da Justiça do Brasil.
O presidente do Corinthians, Mario Gobbi, concede entrevista no CT do clube"Da mesma forma que eu não concordo que pessoas invadam nosso CT e pratiquem atos ilícitos aqui dentro, eu não posso concordar que 12 pessoas sejam presas aleatoriamente para dar uma satisfação que quem matou o jovem Kevin estava preso", disse Gobbi.
"Até hoje a polícia de Oruro não descobriu quem foi o autor do luminoso que atingiu o menino. Você não paga um crime cometendo outro. Não espere de mim apoio a uma prisão ilegal. No caso de Oruro, foi um abuso total de poder. Foi uma violência aos direitos humanos como foi a invasão de sábado", completou.
Gobbi lembrou também da briga entre torcedores de Vasco em Corinthians, em Brasília, em agosto do ano passado, quando outros membros da torcida que foram presos em Oruro participaram.
Segundo o dirigente, neste caso as autoridades é que falharam.
"O que fez a autoridade pública local? [Nada, disse um dos jornalistas durante a coletiva] E cabe ao Corinthians fazer? Queria que todos que brigaram em Brasília fossem indiciados e presos, seja quem estava em Oruro e quem não estava. Ele tem de responder pela conduta dele igual aos outros. Independente de estar em Oruro ou não", disse o cartola.
Time Abalado
O cartola disse que o elenco ainda está abalado devido a violência da invasão, mas negou que algum jogador tenha pedido para sair do clube.
"Nenhum jogador pediu para ir embora. Todos estavam ao mesmo tempo abalados emocionalmente. Foi chocante para todos nós. Eu tenho família, tenho mulher. Isso dói. Aqui não tem bandido. O Corinthians não perdeu por 5 a 1 do Santos porque quis. Isso é do futebol. Já ganhamos de 7 a 1 também. Tal é o respeito [do elenco] pelo Corinthians, que todos aceitaram ir ao jogo [contra a Ponte Preta, no último domingo]. E o clima não era de ir ao jogo. O trauma foi grande", disse.
"Se o Paolo [Guerrero], o artilheiro, talvez o autor de um dos gols mais importantes da história do clube [na final do Mundial-2012], foi esganado, imagine o que aconteceu aqui com jogadores refugiados no vestiário", completou o dirigente.
Gobbi ainda prometeu reforçar a segurança do CT Joaquim Grava, mas disse que as novas medidas serão tomadas após uma reunião com todos os envolvidos no trabalho diário no local.
Nesta segunda-feira, houve reforço de 20 a 30 seguranças no local, mas o clube não confirmou o efeito total de seguranças diário no CT.
Impunidade à Violência
Para o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, a impunidade a atos de violência no futebol é a "falência da República Federativa do Brasil".
O cartola utilizou essa expressão durante entrevista coletiva no centro de treinamento Joaquim Grava, no Parque Ecológico do Tietê, ao falar sobre a invasão de torcedores do Corinthians ao local, no último sábado.
Gobbi disse que os clubes não podem ser cobrados pelos atos dos torcedores, condenou as punições que são aplicadas aos times quando algum torcedor pratica vandalismo dentro dos estádios e cobrou mais rigor das autoridades sobre as torcidas organizadas.
"Tem leis que regulam e fiscalizam elas. Não é o Corinthians quem deve fiscalizar. Vocês [jornalistas] precisam cobrar de quem tem o poder para isso. Os clubes de futebol são entes de esportes. Como presidente do Corinthians, tenho de montar um grande time, ter um grande elenco, fazer o time dar show, dar espetáculo", disse.
"Agora cuidar para ver se o torcedor vai jogar uma pilha no campo ou se vai brigar não é função de uma entidade esportiva. Não adianta jogar em cima dos clubes. Se for assim, vou ter de abrir um concurso público e criar uma polícia do Corinthians. Claro que o Corinthians é um ente privado com reflexos no públicos, mas estão cometendo uma violência ao punir os clubes por conduta de torcedor", acrescentou.
"Se o clube pudesse escolher quem deve torcer e controlar a conduta de cada um na praça de esportes seria justo atribuir a responsabilidade ao Corinthians. [A impunidade] é falência da República Federativa do Brasil. Isso não é função do Corinthians. Se fosse, eu montaria uma guarda própria", finalizou.
Ano passado, o Corinthians teve de jogar a 100 km de São Paulo por mau comportamento de seus torcedores em seis ocasiões, além de receber multa. Neste ano, a primeira partida em casa foi realizada em Americana e não no Pacaembu por causa do uso de sinalizadores da torcida na decisão do Estadual do ano passado.
