Bairros

Família de jovem acusa negligência

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Thaís passou por cirurgia na noite de segunda-feira

Atendente em uma padaria da cidade, torcedora fervorosa do Palmeiras, sorridente e vaidosa, Thaís Cini Lima, 19 anos, vivia a intensidade própria de sua idade quando começou a sentir dores abdominais. Em uma semana, estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave, respirando com a ajuda de aparelhos.

Para a família, a sucessão de fatos que levaram a garota tão rapidamente à beira da morte tem uma única explicação: negligência. Thaís estava com uma apendicite que demorou a ser diagnosticada e o apêndice (pequeno órgão ligado ao intestino) se rompeu, provocando uma infecção generalizada.

A jovem havia buscado atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel/Redentor por quatro vezes e, depois de um médico suspeitar da doença, demorou mais dois dias para ser submetida à cirurgia. Agora, a paciente segue entubada na UTI do Hospital de Base (HB) e nem parentes, nem médicos, podem garantir que ela vá sobreviver.

Thaís procurou ajuda médica pela primeira vez no dia 28 de janeiro. Foi atendida na UPA do Geisel/Redentor apresentando vômitos, diarreia e dor abdominal.

Recebeu alta e voltou no dia seguinte, com os mesmos sintomas, sendo diagnosticada com gastroenterite aguda, conforme revela o próprio Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde.

“Diarreia e vômito não são um quadro típico de apendicite. Quem atendeu a paciente no primeiro dia, por coincidência, foi um cirurgião gástrico. Ele teria total condição de fazer o diagnóstico, se o quadro fosse sugestivo”, pondera o diretor do DUE, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.

Suspeita

Medicada, mas sem apresentar melhora, Thaís retornou à unidade no dia 30 de janeiro e, de novo, no dia 1º de fevereiro. Segundo a irmã da jovem, Andressa Cini de Oliveira, 27 anos, ela já estava com o abdômen bastante inchado e realizou exames de sangue e urina, que teriam apresentado alterações.

“O primeiro médico que a atendeu neste dia pediu uma radiografia e fez uma lavagem intestinal, dizendo que ela tinha gases. Lá pelas 20h30, depois da troca de turno, outro médico foi vê-la e suspeitou de apendicite”, relembra.

Thaís foi, então, transferida para o Pronto-Socorro Central (PSC) no começo da madrugada do domingo, dia 2. Segundo Sabbag, a paciente não aceitou esperar até o período da manhã para realizar novos exames de urina, sangue e ultrassom e assinou um termo para receber alta, dizendo que iria efetuar o procedimento em um laboratório particular.

Andressa, no entanto, conta uma história diferente. “Eles disseram que só iriam fazer os exames na segunda-feira. E minha irmã já tinha feito os mesmos exames na UPA, no sábado, dia 1º. Não dava mais para ficar esperando. Ela já estava muito mal, com febre alta”, reclama.

Internação

Com o quadro bastante agravado, Thaís acabou retornando ao PSC por volta das 19h do dia 2 e, às 20h, foi internada no HB para ser submetida a uma cirurgia. O procedimento, segundo familiares, foi realizado na noite do dia 3, seis dias depois do primeiro momento em que a jovem procurou ajuda.

Segundo especialistas, uma espera que pode ser fatal, já que, de um dia para o outro, um quadro restrito e localizado de apendicite pode tornar-se generalizado e acometer todo o abdômen.

Quando a cirurgia foi realizada, segundo um médico teria informado a família, o apêndice de Thaís já estava rompido, o que teria provocado uma infecção generalizada.

“O pus e as fezes que estavam acumulados no apêndice entraram em contato com o sangue, contaminando todo o organismo dela, até o pulmão. Agora, ela está entubada, tomando muito antibiótico. Acho que só Deus para salvá-la”, lamenta a irmã Andressa.

 

Comentários

Comentários