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Bauru está livre de racionar água

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru está há 12 dias sem chuvas significativas e a previsão é de que nenhuma gota caia do céu até a próxima terça-feira. E a atípica estiagem em pleno verão, quando o consumo de água aumenta substancialmente, acende o alerta para o risco de racionamento.

Mas, por enquanto, esta é uma possibilidade descartada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), já que o rio Batalha ainda está com 2,57 metros de altura, nível considerado dentro do normal. Para instituir a suspensão programada do abastecimento, o curso d’água teria de chegar a 60 centímetros, segundo informa o presidente da autarquia, Giasone Candia.

Como, a cada dia sem chuva, o rio tem baixado cerca de dois a três centímetros, os cálculos apontam que seriam necessários ao menos mais 65 dias de tempo seco para haver racionamento.

“Estamos preocupados, sim. Se a chuva não vier e o consumo de água aumentar, o risco existe”, considera Candia. Mas, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a estiagem deve acabar bem antes disso.

O racionamento, se houvesse, afetaria 40% dos imóveis que recebem água do rio Batalha e que estão concentrados, principalmente, na zona sul de Bauru. Já o restante da cidade, abastecido por poços artesianos, não seria atingido, embora os moradores destas regiões já estejam, há muito tempo, sofrendo com a falta d’água.

Para eles, o grande problema é a baixa vazão de muitos poços, que não conseguem produzir toda a água necessária durante o verão, quando há aumento no consumo. A parte mais penalizada da cidade, conforme o JC tem noticiado insistentemente, são as regiões norte e noroeste.

À medida que consegue destinar recursos, a prefeitura tem tentado suprir o crescimento da demanda por água, gerada principalmente pela construção de novos prédios residenciais e condomínios fechados. Mas a estratégia nem sempre resolve todo o problema.


Desassoreamento garante fôlego

A possibilidade de racionamento se tornou remota em Bauru porque, nos últimos dez anos. a região do rio Batalha foi revitalizada. O reflorestamento e desassoreamento contribuíram para a recuperação de nascentes e o controle de erosões, o que faz com que o rio resista e consiga garantir o abastecimento de água mesmo durante períodos mais secos.

Mas, segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, devido ao surgimento de novos empreendimentos e condomínios residenciais, áreas recém-ocupadas da zona sul também passarão a receber água de poços artesianos.

“Na região do Batalha, já perfuramos o poço Marambá e o poço Nações 2. Agora, três novos poços serão perfurados como contrapartida dos empreendedores que estão construindo condomínios na região da Bauru-Ipaussu”, elenca.


Economia

Para os bairros que ainda sofrem com problemas de desabastecimento, o DAE recomenda a instalação de caixas d’água com capacidade de, no mínimo, mil litros.

“Geralmente, o nível dos reservatórios se recompõe durante a noite, quando o consumo diminui, e as casas voltam a receber água. No dia seguinte, mesmo que o abastecimento pare de novo, a caixa d’água vai estar cheia”, orienta o presidente do departamento, Giasone Candia.

Ele, assim como o prefeito Rodrigo Agostinho, solicitam economia de água aos consumidores nesta época de elevado consumo.

“Paralelamente, o DAE está trabalhando em esquema de mutirões para consertar os vazamentos registrados na cidade”, completa o chefe do Executivo.

Serviço

O DAE disponibiliza caminhões-pipa pelo 0800 7710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou do 3235-6140 para ligações feitas pelo celular.


Novos poços

Inaugurado em dezembro do ano passado, o poço Roosevelt 3 não foi suficiente para garantir a constância no abastecimento de moradores que vivem na parte mais alta do Parque Jaraguá.

Conforme matéria publicada pelo Jornal da Cidade, moradores ainda reclamaram da falta d’água em meados de janeiro. Nesta semana, devido ao rompimento de uma adutora, o fornecimento voltou a ser interrompido no bairro.

Com vazão de 200 mil litros por hora, o poço ajuda a abastecer o reservatório Nove de Julho, responsável pelo fornecimento de água a 25 mil moradores de dez bairros da região norte da cidade.

Com a mesma vazão, outro poço – chamado Zona Norte - deverá ser inaugurado na rodovia Cesário José Castilho entre março e abril para reforçar o abastecimento a outros 20 mil moradores de bairros como Jardim Nova Bauru, Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Jardim Ivone e Quinta da Bela Olinda, entre outros.

“A licitação para perfurar o poço Val de Palmas deve sair ainda neste mês e estamos para publicar o decreto de desapropriação para perfurar outro poço na região do Jardim TV. Todos devem começar a operar ainda neste semestre e estão concentrados em uma mesma região, que enfrenta o maior problema de desabastecimento de toda a cidade”, observa o prefeito Rodrigo Agostinho.

 

 

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