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Ministério Público do Trabalho vai defender salário integral a cubanos

Folhapress
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Depois da revelação do caso da médica cubana Ramona Rodriguez e de visitas aos Estados, o procurador do Ministério Público do Trabalho Sebastião Caixeta diz não faltarem provas de que o programa Mais Médicos institui uma relação de trabalho - e, não, uma bolsa de especialização - e que é necessário equiparar o salário dos médicos cubanos ao dos demais profissionais (R$ 10 mil mensais).

Reprodução/Internet

Será exigido que recebam os valor pago aos demais médicos, R$ 10 mil

Caixeta deve finalizar, ainda este mês, o inquérito civil que investiga as relações de trabalho no Mais Médicos, apontando para a necessidade de correção do programa - caso não seja possível por entendimentos extrajudiciais, a polêmica deverá chegar à Justiça.

"Vamos exigir que (os médicos cubanos) recebam os valores [pagos aos demais médicos, R$ 10 mil mensais], inclusive os atrasados", afirmou.

Paralelamente, o DEM vai entrar com uma representação no Ministério Público do Trabalho sugerindo que uma ação coletiva garantindo que todos os médicos cubanos que integram o programa Mais Médicos recebam integralmente a bolsa de R$10 mil paga pelo governo brasileiro a médicos estrangeiros de outras nacionalidades.

Atualmente, 7.400 médicos cubanos foram selecionados para o programa. A indicação é que os cubanos recebem apenas 10% da bolsa.

Segundo o procurador, o contrato de trabalho apresentado pela cubana Ramona e inspeções feitas em diferentes cidades não deixam dúvidas de que os profissionais do Mais Médicos têm configurada uma relação de trabalho com o governo brasileiro. Assim, diz, devem ter cobertos direitos trabalhistas como o 13º salário e ter garantida a isonomia.

Caixeta afirma ter visto documento bancário de um médico cubano indicando o depósito de US$ 400 em sua conta, o que seria, segundo explicado por Ramona, a parte do salário que Cuba paga aos médicos no Brasil - outros US$ 600 seriam depositados em uma conta em Cuba."Não há mais o que discutir em termos de prova", defende o procurador.

"A legislação brasileira prevalece à cubana. Não vai ter nenhum contrato que se sobreponha à nossa legislação", disse o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

O líder do DEM, Mendonça Filho, afirmou que a ação vai cobrar ainda o ressarcimento retroativo dos cubanos. "Vamos pedir que a Procuradoria-Geral do Trabalho patrocine uma ação coletiva a todos os médicos cubanos que estão sendo tratados de forma desigual, desumana e desrespeitosa", disse.

Segundo os oposicionistas, só no caso de Ramona, ela teria direito a receber pelo menos R$36 mil.

Procurada sobre uma eventual ação de Ramona contra o governo, a AGU (Advocacia-Geral da União) afirmou que, como ainda não há uma ação concreta, caso em que a AGU atuaria, a reportagem deveria procurar o Ministério da Saúde.

A Saúde ainda não se manifestou sobre a prometida ação trabalhista.

    


 

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