Pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, estará em Bauru amanhã, quando acontece na cidade o encontro regional da legenda. Oficialmente, o evento tem o propósito de, especificamente, organizar o partido. No entanto, ao informar que pretende ouvir a demanda de lideranças locais e identificar problemas na região, o ex-prefeito de São Paulo admite que elas devem integrar seu futuro plano de governo.
Embora se esforce em reiterar sua presença no município, neste momento, muito mais como ação partidária, estará acompanhado da ex-prefeita de São Paulo Alda Marco Antonio, que deverá sair como sua vice (chapa pura), e do deputado federal Ricardo Izar, que tentará a reeleição.
O parlamentar, inclusive, admite que, na oportunidade, os rumos eleitorais da legenda serão discutidos, conforme nota encaminhada por sua assessoria de imprensa.
Ao prometer transferir seu domicílio eleitoral para Bauru e, pouco tempo depois, recuar, Izar provocou mal-estar entre os filiados da legenda, na cidade. Houve, inclusive, desfiliações e arrefecimento nos ânimos em relação ao pleito de outubro. Um dos objetivos do encontro de amanhã reverter o cenário adverso.
“Izar é um extraordinário parlamentar. É jovem, atuante, trabalhador. Temos procurado concentrar esforços em encontrar projetos que superem os desafios que a região tem”, comenta Kassab ao tergiversar sobre a situação da legenda na cidade.
Como pré-candidato ao governo do Estado, Gilberto Kassab tem uma bandeira específica, que deverá ser assumida por todo o partido. Trata-se da crise pela qual passa a segurança pública. “Vamos dar prioridade muito grande. É uma questão que aflige a todos de modo geral”, afirma. Na opinião dele, a área demanda mais investimento de recursos para que os policiais sejam melhor remunerados e tenham a autoestima resgatada.
“A Polícia Civil também precisa reconquistar sua capacidade de investigação. É preciso haver mecanismos que proporcionem a capacitação dos profissionais de segurança, além de investimento em tecnologia”, comenta. Compartilha do mesmo pensamento o delegado Abel Cortez, que integra o partido e foi candidato a vice-prefeito, na última eleição, com o PV. É possível que o nome de Abel seja sugerido como pré-candidato à Assembleia Legislativa.
O presidente do diretório municipal do PSD, Toninho Corrêa, inclusive, tem simpatia pela dobradinha entre Cortez e Izar. O encontro do PSD será amanhã, a partir das 10h, nas Faculdades Integradas Bauru (FIB), situada na rua José Santiago, quadra 15, Jardim Ferraz, Bauru/SP.
Apoio a Dilma
O PSD foi o primeiro partido a anunciar oficialmente apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Na última quarta-feira, Gilberto Kassab esteve com ela e, diferentemente do que é habitual, não cobrou um segundo ministério, além do ocupado por Afif Domingos (Secretaria da Micro e Pequena Empresas), cujo nome seria da quota pessoal da petista.
A informação, porém, foi interpretada como uma estratégia de Kassab para garantir um ministério para ele próprio, em uma eventual gestão de Dilma. O presidente do PSD, porém, nega. “Quero ser governador, tenho uma expectativa muito grande de estar à frente do Estado. Há dois meses nós definimos em consulta nacional que iríamos apoiá-la. Se ela quiser convidar algum quadro para participar, será uma honra muito grande, mas não faz parte de nenhuma exigência”, acrescenta.
Para o ex-prefeito, que esteve à frente de São Paulo por sete anos, já ficou claro que ele não esteve envolvido nos casos denunciados recentemente, como o que envolve a empresa contratada na gestão dele para fazer a inspeção veicular na Capital e a Máfia do Imposto Sobre Serviços (ISS).