O sindicato de atletas confirmou nesta sexta-feira (7) que desistiu da paralisação na rodada da Série A-1 do Campeonato Paulista neste final de semana.
Rinaldo Martorelli, presidente do sindicato, disse que o avanço nas negociações com órgãos do governo estadual e com a Federação Paulista de Futebol, por mais segurança aos jogadores, fez com que a greve fosse abortada neste momento.
"Temos alguns pedidos, com relação à segurança, que é a pauta desse momento, e vamos aguardar as próximas semanas. Caso não sejam atendidas, podemos ter greve no futuro. Estamos em estado de greve, mas não paramos nesse momento", disse Martorelli.
O sindicato tentou organizar a greve depois que cerca de cem torcedores do Corinthians invadiram o centro de treinamento do clube, sábado passado, com intenção de agredir os atletas. Em um primeiro momento, os jogadores do Corinthians foram a favor da greve, divulgando até nota oficial. Depois recuaram.
Inicialmente, a entrevista coletiva, realizada na sede paulista da ordem dos Advogados do Brasil, teria a presença do zagueiro corintiano Paulo André, mas ele não compareceu. Ele é um dos líderes do movimento Bom senso, grupo de atletas da elite, criado em 2013, que pede mudanças no calendário do futebol brasileiro, mas não tem a pauta segurança.
A Folha de S.Paulo revelou que o Bom Senso tentou se descolar da greve que o sindicato organizou porque não houve adesão de atletas do interior e o grupo entendeu que poderia prejudicar a marcação de uma paralisação durante o Campeonato Brasileiro da Série A de 2014.
Martorelli disse que houve adesão dos jogadores dos 20 clubes da Série A-1, apesar de admitir que a pauta segurança afeta mais os clubes grandes, que têm torcidas organizadas numerosas, algumas violentas, do que times pequenos do interior.
"Mas todos os jogadores sonham em jogar em times grandes. Temos que nos solidarizar. Se o cara assaltar teu vizinho, ele pode pular o muro e ir na sua casa", disse Martorelli.
Segundo ele, a secretaria de segurança pública de São Paulo, com quem se reuniu anteontem, prometeu maior efetivo para cuidar da segurança dos atletas nos jogos de futebol.
Martorelli disse também que os clubes se comprometeram a melhorar a segurança dos jogadores nas partidas, nos treinos e também no deslocamento de casa ao trabalho.
Martorelli explicou também que não há pendência jurídica para realizar a greve no futuro. Como a lei exige, é necessário uma assembleia da categoria, que segundo Martorelli já foi aberta e está com a documentação em ordem.