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São Paulo e Campinas disputam uso do sistema Cantareira

Por Eduardo Geraque | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo e Campinas estão em conflito. O motivo é a crise atual de fornecimento de água, que pode levar ambas as áreas a implementar racionamento de água. Os mesmos rios, com recursos finitos e cada vez mais degradados, são usados para abastecer as duas cidades.

Por isso, tanto a Agência Nacional de Água (ANA), em nível federal, quanto o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), no Estado, revisam a cada mês quanto cada fornecedora pode captar do sobrecarregado sistema Cantareira. Além disso, a cada década o grande plano de operação do Cantareira é revisto - processo que está em curso neste momento, em meio a uma das maiores estiagens que se tem registro no sistema.

A crise atual é tão grave que o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, vai defender, na reunião da diretoria do órgão amanhã, que o debate das novas regras de operação seja interrompido. "Não podemos discutir o futuro sem que esse episódio fora da curva que estamos vivendo termine", diz Andreu. Por isso, é bem provável que as duas audiências públicas marcadas para esta semana, que discutiriam as novas regras de operação do Cantareira a partir de agosto, sejam canceladas.

Mas o debate em curso entre São Paulo e Campinas não envolve apenas o futuro. O presente também divide bastante as opiniões. Na semana passada, o Ministério Público de Campinas recomendou aos responsáveis pelas regras do Cantareira que obrigassem a Sabesp a retirar menos água dos reservatórios que administra no sistema. "A nossa intenção é preservar a qualidade do reservatório, inclusive para o período regular de estiagem, após abril", diz Rodrigo Garcia, promotor de Justiça de Campinas.

De acordo com ele, o abastecimento de São Paulo está sendo feito em detrimento da segurança hídrica de Campinas e cidades vizinhas.

A autorização dada tanto à Sabesp quanto à Sanasa (que abastece Campinas), prevê limites de segurança dos níveis dos reservatórios e uma poupança de água para eventos extremos, como o que está ocorrendo agora.

"É uma espécie de poupança virtual e pode ser que o sistema não se recupere depois. O risco de colapso existe", diz Garcia, que se reuniu com vários técnicos da área para fazer suas recomendações.

Especialistas ouvidos pela reportagem confirmam que o sistema Cantareira está sendo operado dentro de um alto risco e que se não chover até março a situação será gravíssima.

A Sabesp, procurada, informou que cumpre todas as normas legais. Segundo o DAEE, quem responde pelo sistema Cantareira é a ANA, em Brasília.

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