Você sabia que o "S" no peito do herói significava "esperança" em seu mundo? "Esperança" em um planeta condenado: Kripton. É a explicação que faltava sobre o Super-Homem. Está em "Man of Steel" (Homem de Aço), de 2013, que só ontem assisti.
O Super-Homem virou lenda porque representa o salvador da humanidade, o semideus na Terra. Aquele enviado para apontar o caminho. E para provar que não estamos sozinhos. Com as cores dos Estados Unidos, é claro.
O fato é que se trata de personagem eterno. Suas produções para o cinema andaram meio fracotes e essa mais recente tem lá seus méritos. Nada, lógico, que chegue perto do clássico "Superman, o Filme", de 1978.
Foi após esse clássico com Christopher Reeve que Gilberto Gil, sem assisti-lo, compôs "Super-Homem, a Canção": "Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória. Mudando como um deus o curso da história. Por causa da mulher".
Gil já contou que Caetano Veloso, em 1979, chegou falando pelos cotovelos sobre o filme. Caetano se mostrava particularmente impressionado com o fato de o Super-Homem mudar a rotação da Terra para salvar Lois Lane.
Sempre vamos buscar heróis. Já desisti de tentar entender: precisamos de heróis, reais ou não, como de água, música e ar. Não por acaso o livro "O Maior Herói do Mundo", de Kátia Canton (Editora DCL), trata do assunto já para crianças.
Christopher Reeve morreu em 2004, aos 52 anos. Era tetraplégico desde 1995, após queda de um cavalo. Quem sempre esteve ao seu lado foi a mulher, Dana. Não fumante, ela morreria em 2006, aos 44, vítima de câncer de pulmão. Marido e mulher deixaram a "Christopher e Dana Reeve Paralysis Foundation" em favor de pesquisas sobre paralisia.
Problemas bem humanos revelam nosso poder de construir legados em voos além das partidas. É o que significa o "S" invisível no nosso peito: superação.
O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC