Quioshi Goto |
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Capitão Fabiano Serpa, da PM, afirma que a segurança primária pode evitar vários furtos
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O ano mal havia começado e um carpinteiro, de 20 anos, teve uma surpresa bastante desagradável. Meia hora após a virada de 2014, sua moto, que estava estacionada próxima à Nações Unidas, foi levada pelos bandidos. Ele foi apenas a primeira vítima de muitas que tiveram suas motocicletas furtadas em Bauru. Para conter a escalada de crimes, a Polícia Militar (PM) aconselha o uso de dispositivos de segurança.
Só em janeiro deste ano, de acordo com dados do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), os ladrões furtaram 43 motos em Bauru. Mais de uma por dia. As motos representaram 35% do total de veículos levados pelos ladrões neste primeiro mês de 2014.
A quantidade é expressiva, uma vez que a frota de motocicletas é bem inferior a de carros. Atualmente, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), a frota de motos em Bauru é três vezes menor do que a de carros. Os dados apontam que a cidade tem 250.514 veículos registrados. Desse total, apenas 54.355 são motocicletas.
Mas qual o motivo de as motos serem bastante visadas pelos ladrões? O oficial de relações públicas do 4º BPMI, capitão Fabiano Serpa, explica que é exatamente a facilidade de furtar o veículo de duas rodas comparado a um automóvel.
“O ladrão tem uma facilidade grande em conseguir desbloquear a trava original. Faz isso muito rapidamente. Esse é um dos motivos de as motos terem passado a ser muito visadas”, destaca.
E é por isso que a polícia aconselha os proprietários a ampliar a seguranças dessas motocicletas. “A Constituição diz que a segurança pública é um dever do Estado, mas também aponta que é uma responsabilidade de todos. As pessoas precisam instituir o que chamamos de segurança primária”, analisa Serpa.
Custo-benefício
De acordo com a PM, muitos dos furtos de motos poderiam ser evitados se o ladrão encontrasse um obstáculo a mais. “E temos uma série de dispositivos que podem dar mais segurança aos proprietários. São travas e alarmes”.
Justamente pensando nisso, a polícia fez um levantamento dos dispositivos considerados mais “eficientes” e dos preços médios desses equipamentos (veja no quadro ao lado).
“Tirando o alarme, a trava mais cara custa cerca de R$ 50,00. Se for pensar que uma moto de baixa cilindrada custa pouco mais de R$ 5 mil, seria cerca de 1% do valor do veículo. É um custo que compensa o benefício”, complementa o capitão Serpa.
O oficial esteve com a reportagem em uma fábrica no Distrito Industrial. Muitas motocicletas estacionadas em frente ao local não tinham qualquer trava de segurança. Outros proprietários, porém, já estavam mais precavidos.
“Tem até corrente normal com cadeado. Não tem a mesma segurança de um equipamento que foi feito para aquela finalidade como uma trava das que citei. Mas já é uma segurança a mais. É uma dificuldade a mais para o ladrão”, finaliza.
Agilidade em prol do crime
Relevante fatia das motos furtadas é para desmanche. A explicação é simples. Quando se leva uma motocicleta, praticamente todas as peças são reaproveitadas. Porém, há uma boa parte que não tem como destino o desmonte. São utilizadas em prol do crime.
Exatamente pelas características, essas motos são usadas para a execução de roubos na cidade. “O trânsito está crescendo e, principalmente em horários de pico, as vias ficam quase paradas. O criminoso sabe que tem mais chances de fugir com uma moto. Por isso, grande parte dos roubos em Bauru e região é cometida por assaltantes em motos. E esses veículos comumente são furtados”, explica o capitão Fabiano Serpa.
Mar de motos
Um dos reflexos da grande quantidade de furtos de motos é a lotação do pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Conforme o JC trouxe na semana passada, o local conta com 1.650 motocicletas recolhidas, enquanto os automóveis - mesmo com frota três vezes maior nas ruas - são 1.400.
É que justamente por serem tão visadas em furtos e também para o transporte de criminosos, a PM intensifica os bloqueios a motos e muitas acabam sendo apreendidas e recolhidas.
Motocicletas são furtadas até para impressionar as garotas
A polícia se preocupa com o registro de motocicletas furtadas em Bauru. Contudo, aponta que uma parcela considerável desses veículos é recuperada inteira e devolvida ao proprietário. É que, em muitos casos, o ladrão faz um “furto instantâneo”.
“Há os casos em que a moto é furtada para ser usada em outro crime, como um roubo, por exemplo. Mas há diversas outras situações também. Temos até situações em que adolescentes furtam a moto para dar uma volta e impressionar uma garota”, revela o capitão Fabiano Serpa.
Outra modalidade de furto que impressiona pela ousadia é o “carona”. Por incrível que pareça, a PM confirma que há pessoas que furtam a moto, vão até o local que precisavam e abandonam o veículo nas proximidades. “O que gera tudo isso é a impunidade”, finaliza o oficial de relações públicas do 4º BPMI.
Vale lembrar que, independente da finalidade, subtrair, para si ou para outra pessoa, coisa alheia móvel é considerado furto. Previsto no artigo 155 do Código Penal, o crime é passível a reclusão de 1 a 4 anos.